Defesa de Eduardo Cunha diz que confissão de Janot sobre plano para matar Gilmar revela ‘procurador suspeito’

Defesa de Eduardo Cunha diz que confissão de Janot sobre plano para matar Gilmar revela ‘procurador suspeito’

Advogados do ex-presidente da Câmara, preso desde outubro de 2016 na Operação Lava Jato, avaliam que afirmações do ex-procurador-geral da República mostram 'ilegalidades' e 'violação a princípios básicos como a impessoalidade'

Pepita Ortega e Fausto Macedo

27 de setembro de 2019 | 13h56

A confissão do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot de que planejou assassinar a tiros o ministro Gilmar Mendes, do Supremo, abriu caminho para protestos até de Eduardo Cunha. Preso desde outubro de 2016 na Operação Lava Jato, o ex-presidente da Câmara avalia, por meio de seus advogados, que ‘as declarações esquizofrênicas de Janot, afirmações irresponsáveis, revelam agora aquilo que a defesa já sabia’.

‘O que significa um preso sem chance de defesa, para quem é capaz de sacar uma arma para um ministro, dentro do STF!’, questionam os criminalistas que compõem a defesa de Eduardo Cunha. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

“As  ilegalidades praticadas contra Eduardo Cunha, à época que ele (Janot) conduziu com o fígado o Ministério Público Federal, violavam princípios básicos como a impessoalidade”, argumentam os criminalistas que defendem o ex-deputado – Ticiano Figueiredo, Pedro Ivo Velloso, Delio Lins e Silva Jr., Rafael Guedes de Castro, Caio Antonietto e Aury Lopes Jr.

Janot declarou ao Estadão detalhes da trama para eliminar Gilmar à bala.

O ministro do Supremo, Gilmar Mendes. Foto: Nelson Jr./SCO/STF/Divulgação

Em 2017, contou, quando atravessava um momento muito tenso de sua gestão – época em que Gilmar teria citado o nome de sua filha como supostamente ligada à empreiteira OAS -, decidiu dar cabo do ministro. Só não executou o plano porque ‘a mão de Deus’ o conteve, disse.

“Causam perplexidade o tom e o nível das declarações esquizofrênicas prestadas pelo ex-procurador-geral da República. É um escândalo sem precedentes até para os padrões de Rodrigo Janot”, diz a defesa de Cunha.

Para os criminalistas, ‘Eduardo Cunha foi acusado e processado por um procurador suspeito, sem qualquer chance de justiça e de oportunidade de se utilizar de todos os meios de defesa’.

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot declarou ao Estadão detalhes de uma trama para eliminar Gilmar à bala. Foto: Amanda Perobelli/Estadão

Eles atacam a citação de Janot a Cunha nas páginas do livro que o ex-procurador-geral pretende lançar em outubro. “Às vésperas de lançar um livro, faz uma acusação absurda e pitoresca de que Cunha seria responsável pela invasão de sua casa, tudo isso baseado ‘no cheiro’.”

Os advogados se dizem preocupados com a segurança do ex-parlamentar. “Afinal, o que significa um preso sem chance de defesa, para quem é capaz de sacar uma arma para um ministro, dentro do STF!”

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DA DEFESA DO EX-DEPUTADO EDUARDO CUNHA

‘Causam perplexidade o tom e o nível das declarações esquizofrênicas prestadas pelo ex-Procurador Geral da República. É um escândalo sem precedentes até para os padrões de Rodrigo Janot. As afirmações irresponsáveis revelam agora aquilo que a defesa já sabia: as ilegalidades praticadas contra Eduardo Cunha, à época que ele conduziu com o fígado o Ministério Público Federal, violavam princípios básicos como a impessoalidade. Isso demonstra, e escancara, que Cunha foi acusado e processado por um Procurador suspeito, sem qualquer chance de justiça e de oportunidade de se utilizar de todos os meios de defesa. E que, agora, às vésperas de lançar um livro, faz uma acusação absurda e pitoresca de que Cunha seria responsável pela invasão de sua casa, tudo isso baseado “no cheiro”. Preocupa-nos a segurança de Eduardo Cunha. Afinal, o que significa um preso sem chance de defesa, para quem é capaz de sacar uma arma para um Ministro, dentro do STF!’

Ticiano Figueiredo, Pedro Ivo Velloso, Delio Lins e Silva Jr., Rafael Guedes de Castro e Caio Antonietto, Aury Lopes Jr.; advogados de defesa de Eduardo Cunha.

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