Daniel Silveira diz que não cumpre decisão, chama Alexandre de ‘medíocre’ e defende impeachment de ministro do STF

Daniel Silveira diz que não cumpre decisão, chama Alexandre de ‘medíocre’ e defende impeachment de ministro do STF

Deputado diz que vai passar a noite no plenário da Câmara e desafia magistrado: 'Quero ver até onde vai a petulância dele'

Iander Porcella/Brasília

29 de março de 2022 | 21h47

O deputado Daniel Silveira (União-RJ) disse nesta terça-feira, 29, que vai passar a noite no plenário da Câmara dos Deputados. Ele voltou a desafiar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e afirmou querer ver até onde vai a “petulância” do magistrado. “O plenário é inviolável”, declarou o parlamentar.

Silveira disse que não vai cumprir a decisão de Moraes, que determinou a instalação imediata de tornozeleira eletrônica no parlamentar. O magistrado atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). De acordo com o órgão, o deputado descumpriu medidas cautelares impostas quando ele foi autorizado a deixar a prisão.

“[Eu vou passar a noite no plenário] porque quero ver até onde vai a petulância de alguém para de fato romper com os outros dois Poderes, porque aqui o plenário é inviolável. Um deputado é soberano no plenário”, afirmou Silveira a jornalistas. “Eu quero ver até onde vai, se ele quer dobrar essa aposta, se ele quer, de fato, mostrar que ele manda nos outros Poderes.”

Ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou deputado federal Daniel Silveira volte a ser monitorado por tornozeleira. Foto: Gabriela Biló/Estadão

Silveira defende que a Câmara precisa votar em plenário a medida determinada pelo ministro do STF, mas disse que ainda não fez contato com o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). Ele evitou responder se recebeu alguma mensagem de apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL).

“No dia 25, na calada da noite, mais uma vez o ministro Alexandre de Moraes, sujeito medíocre que desonra o STF, adotou medidas protetivas contra este parlamentar”, disse Silveira mais cedo, na tribuna da Câmara. “Eu quero notificar a Casa que a sessão plenária para mim é permanente. Eu só vou sair do Congresso Nacional quando for pautada a sustação da ação penal”, acrescentou.

Em seu discurso, o deputado também defendeu o impeachment do ministro. “Ele afronta o Poder Legislativo. Não respeita a Constituição. Por que o Alexandre de Moraes acha que tem esse poder sobre o Legislativo?”, declarou.

Aliada de Silveira e do presidente Jair Bolsonaro (PL), a deputada Carla Zambelli (PL-SP) fez um apelo para que Lira pautasse no plenário a sustação da ação penal contra o deputado, mas a sessão de hoje da Câmara já foi encerrada. Lira permaneceu nesta terça, 29, em Alagoas, sua base eleitoral.

“É um processo que está prejudicando a nossa imunidade parlamentar e pode um dia prejudicar cada um de nós. E o Arthur Lira foi um presidente que foi eleito dizendo que nos ajudaria a manter as nossas imunidades parlamentares”, disse Zambelli. “É impossível que um ministro como Alexandre de Moraes continue atacando essa Casa, subjugando essa Casa e os membros dessa Casa.”

Silveira foi preso em fevereiro do ano passado após divulgar um vídeo com ameaças a integrantes do STF. Ele foi solto definitivamente em novembro, mas ficou submetido a uma série de medidas cautelares, incluindo a proibição de acesso a redes sociais e de contato com outros investigados nos inquéritos das fake news e das milícias digitais. Na semana passada, porém, ele voltou a atacar o Supremo.

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