Corregedoria do MPF abre sindicância para investigar ofensiva de aliada de Aras na Lava Jato de Curitiba

Corregedoria do MPF abre sindicância para investigar ofensiva de aliada de Aras na Lava Jato de Curitiba

Apuração tem origem em petição dos procuradores da força-tarefa que ficaram surpresos com o pedido por acesso a dados sigilosos da operação, feito pela subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo, braço direito do procurador-geral; sindicância também vai investigar suposta compra do Guardião, máquina de grampos de telefone

Rayssa Motta e Fausto Macedo

29 de junho de 2020 | 14h15

A subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo. Foto: Gil Ferreira / Agência CNJ

A corregedora-geral do Ministério Público Federal (MPF), Elizeta Maria de Paiva Ramos, determinou nesta segunda-feira, 29, a instauração de sindicância para apurar ‘diligência’ da subprocuradora-feral da República, Lindôra Araújo, no QG da Operação Lava Jato em Curitiba.

A decisão atende a pedido de integrantes da força-tarefa, que acionaram a corregedoria depois que Lindôra, nome de confiança do procurador-geral da República, esteve em Curitiba para acessar ‘banco de dados’ das investigações do escândalo Petrobrás, que originou a Lava Jato, em 2014. Eles acusam a PGR de tentar obter informações e dados da operação ‘sem prestar informações sobre a existência de um procedimento instaurado, formalização ou escopo definido’.

De acordo com a decisão, a apuração sigilosa será feita tanto pela ‘ótica do fundamento e formalidades legais da diligência quanto da sua forma de execução’. Segundo o MPF, a sindicância também servirá para que seja esclarecida a existência de equipamentos utilizados para gravação de chamadas telefônicas recebidas por integrantes da equipe da força-tarefa, incluindo membros e servidores. Nesse caso, o objetivo é apurar a regularidade de sua utilização, bem como os ‘cuidados e cautela necessários para o manuseio’ do equipamento pelos responsáveis.

A visita de Lindôra, na semana passada, provocou uma crise interna que culminou na debandada de três membros do grupo de trabalho da Lava Jato na PGR. O grupo era responsável pela condução de inquéritos envolvendo políticos com foro privilegiado no Supremo, além de atuar em habeas corpus movidos na Corte em favor dos investigados e a negociação de delações premiadas.

A viagem da subprocuradora foi feita após Aras despachar ofícios aos procuradores cobrando informações sigilosas da operação, como mídias obtidas em quebras de sigilo e relatórios financeiros.

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