Conselho de Farmácia estuda processar gerente que vazou receita de cloroquina de David Uip

Conselho de Farmácia estuda processar gerente que vazou receita de cloroquina de David Uip

Entidade formalizou pedido de acesso ao inquérito que apura o caso para decidir se processa eticamente suspeito de divulgar autoprescrição do ex-coordenador do Centro de Contingência para o novo coronavírus no Estado de São Paulo

Rayssa Motta

07 de julho de 2020 | 13h20

O infectologista David Uip, ex-coordenador do Centro de Contingência da pandemia em São Paulo. Foto: Governo de São Paulo / Divulgação

O Conselho Regional de Farmácia formalizou pedido de acesso ao inquérito que apura o vazamento da receita médica do infectologista David Uip, ex-coordenador do Centro de Contigência para o novo coronavírus no Estado de São Paulo. O órgão deseja obter informações sobre a investigação para decidir sobre eventual abertura de processo ético contra o farmacêutico suspeito de divulgar a prescrição.

O inquérito, que corre em segredo de justiça, foi aberto em abril. Na ocasião, passaram a circular, nas redes sociais, imagens da receita médica na qual o infectologista, que estava com Covid-19, prescreveu cloroquina a si próprio. A investigação apontou que o gerente da farmácia que vendeu o medicamento teria vazado a foto em grupo WhatsApp.

Além do Conselho Regional de Farmácia, o funcionário também pode ser denunciado em breve, na esfera criminal, pelo Ministério Público de São Paulo. Isso porque os dados e provas obtidos na investigação, recém-finalizada, foram encaminhados ao órgão. Os promotores já sinalizaram indício do crime de violação do segredo profissional, uma vez que o conteúdo de qualquer receita médica é protegido, e neste caso, tratava-se de médico com função pública.

O criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, advogado do médico, elogiou a iniciativa do Conselho como forma de alertar sobre a responsabilidade profissional. “O CRF está diligente e cumpre sua obrigação legal de fiscalizar o exercício profissional. Tudo isto tem um efeito pedagógico muito importante, pois alerta a todos sobre a responsabilidade profissional que não pode ser banalizada”, afirma.

O caso ganhou repercussão após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sugerir que Uip escondia o uso do medicamento por ‘questões políticas’, já que ‘pertence à equipe do governador de São Paulo’. Enquanto o governo federal aposta suas fichas no cloroquina e o próprio presidente anuncia que está faz uso do medicamento, que não teve eficácia comprovada pela comunidade científica, João Doria (PSDB) e outros governadores veem com ressalva a prescrição do uso da droga para pacientes infectados pelo novo coronavírus.

Tudo o que sabemos sobre:

David Uip

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.