Promotoria diz que gerente que vazou receita de cloroquina de David Uip cometeu crime de violação do segredo profissional

Promotoria diz que gerente que vazou receita de cloroquina de David Uip cometeu crime de violação do segredo profissional

De acordo com os investigadores, o homem teria fotografado a imagem na tela do computador do estabelecimento e compartilhado em um grupo de WhatsApp

Rayssa Motta e Fausto Macedo

12 de junho de 2020 | 04h20

A investigação sobre o vazamento da receita médica do infectologista David Uip, ex-coordenador do Centro de Contigência para o novo coronavírus no Estado de São Paulo, ganhou novo capítulo no Ministério Público de São Paulo. O promotor Roberto Bacal, que assumiu o caso, afirmou nesta terça, 9, que houve crime de violação do segredo profissional.

O infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência da pandemia em São Paulo. Foto: Governo de São Paulo / Divulgação

O inquérito para apurar o vazamento foi aberto em abril. Na ocasião, passaram a circular, nas redes sociais, imagens da receita médica na qual o infectologista, que estava com Covid-19, prescreveu cloroquina a si próprio.

O caso ganhou repercussão após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sugerir que Uip escondia o uso do medicamento por ‘questões políticas’, já que ‘pertence à equipe do governador de São Paulo’. Enquanto o governo federal aposta suas fichas no cloroquina, que não teve eficácia comprovada pela comunidade científica, João Doria (PSDB) e outros governadores veem com ressalva a prescrição do uso da droga para pacientes infectados pelo novo coronavírus.

A investigação, que corre em segredo de justiça, apontou que o gerente da farmácia que vendeu o medicamento teria vazado a imagem da receita em grupo WhatsApp. O Ministério Público paulista já havia sinalizado o indício do crime de violação do segredo profissional, uma vez que o conteúdo de qualquer receita médica é protegido, e neste caso, tratava-se de médico com função pública.

Uip chegou a admitir que a receita atribuída a ele é verdadeira, mas não confirmou se fez uso ou não do medicamento. Médicos ouvidos pelo Estadão afirmaram que ele agiu de acordo com a ética profissional ao escolher não divulgar a informação.

Após o vazamento, Uip passou a receber uma série de ameaças, inclusive a seus familiares, segundo o criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, advogado do médico. “É correto o entendimento do MP, pois inegavelmente houve crime, assim, insistimos que o Ministério Público ofereça Denúncia. A situação foi muito grave, pois, após o vazamento, meu cliente passou a sofrer diversas ameaças, inclusive a seus familiares, resultando em enorme prejuízo material, profissional e moral”, afirmou D’Urso.

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