‘Compreendo a conduta dos magistrados, mas reafirmo que jamais cometi atos ilícitos’, diz Witzel

‘Compreendo a conduta dos magistrados, mas reafirmo que jamais cometi atos ilícitos’, diz Witzel

Nas redes sociais, o governador afastado reforçou que não recebeu valores desviados dos cofres públicos e desejou 'serenidade' para seu substituto, Cláudio Castro (PSC)

Elisa Calmon

02 de setembro de 2020 | 20h56

O governador afastado do Rio, Wilson Witzel (PSC), se pronunciou nas redes sociais após a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) validar a sua saída temporária do cargo nesta quarta, 2, por 14 votos a um. O ex-juiz reforçou que não recebeu valores desviados dos cofres públicos, mas ‘compreende’ a conduta dos ministros diante ‘da gravidade dos fatos apresentados’.

“Respeito a decisão do Superior Tribunal de Justiça. Compreendo a conduta dos magistrados diante da gravidade dos fatos apresentados. Mas, reafirmo que jamais cometi atos ilícitos”, publicou Witzel em sua conta no Twitter. “Continuarei trabalhando na minha defesa para demonstrar a verdade e tenho plena confiança em um julgamento justo”.


A publicação de Witzel inclui ainda uma mensagem para o seu substituto no cargo, Claúdio Castro. “Desejo ao governador em exercício, Cláudio Castro, serenidade para conduzir os trabalhos que iniciamos juntos e que possibilitaram devolver ao povo fluminense a segurança nas ruas e, com isso, a esperança em um futuro melhor”.

O governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC). Foto: Wilton Júnior / Estadão

Segundo o Estadão/Broadcast apurou, a defesa de Witzel vai concentrar agora as atenções no Supremo Tribunal Federal (STF), reforçando o pedido para que o ministro Dias Toffoli reconduza o governador ao cargo.

Eleito em 2018 tendo como um dos pilares de sua campanha o discurso contra a corrupção, Witzel – um ex-juiz federal que fazia sua estreia na política – foi acusado de obter vantagens indevidas em compras fraudadas na área de saúde durante a pandemia do novo coronavírus. A defesa de Witzel alega que o afastamento foi determinado sem que o ex-juiz federal prestasse depoimento às autoridades.

“Entendi que a prisão preventiva era mais gravosa, entendi por optar por medida menos gravosa, que era afastamento”, disse o relator do caso, ministro Benedito Gonçalves, em uma rápida leitura do voto no início do julgamento.

Mais cedo, Cláudio Castro divulgou nota em que ‘reafirma o seu compromisso de conduzir o Estado do Rio de Janeiro com serenidade, diálogo e austeridade’ e desejou a Witzel ‘que tenha todo direito de defesa plenamente garantido’.

O vice de Witzel explicitou aproximação com a família Bolsonaro, adversários políticos do governador afastado, nesta semana após receber telefonema do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). A conversa tratou do Regime de Recuperação Fiscal, que precisa ser renovado esta semana para garantir o funcionamento da máquina do Estado.

As conversas entre o governo fluminense e o Planalto haviam cessado desde que Witzel e o presidente Jair Bolsonaro passaram a brigar publicamente, há pouco menos de um ano. O motivo foi a pretensão de Witzel ser candidato a presidente em 2022. Nesta segunda, no Twitter, Castro anunciou a reaproximação.

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