Auxiliares tentam convencer Bolsonaro a aceitar desembargador que condenou Lula para lugar de Moro

Auxiliares tentam convencer Bolsonaro a aceitar desembargador que condenou Lula para lugar de Moro

Além de ter o apoio de alguns generais do governo, Carlos Thompson Flores, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, é próximo do chanceler Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores

Jussara Soares/BRASÍLIA

25 de abril de 2020 | 21h34

Desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADAO (15/01/18)

Auxiliares do presidente Jair Bolsonaro tentam convencê-lo a nomear o ex-presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), o desembargador Carlos Thompson Flores, como o novo ministro da Justiça. Além de ter o apoio de alguns generais do governo, o magistrado é próximo do chanceler Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores.

O presidente, no entanto, segue insistindo em ter como substituto do ex-ministro Sergio Moro o chefe da Secretaria-Geral da Presidência, o ministro Jorge Oliveira, ou o advogado-geral da União, André Luiz Mendonça. Os dois são cotados para assumir uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Se optar por uma solução caseira, Bolsonaro terá que encontrar substituto para eles.

Inicialmente, o presidente queria definir as mudanças ao longo deste final de semana e anunciar o novo ministro e as mudanças no governo até a próxima segunda-feira,27. Porém, diante da dificuldade das escolhas, não está descartado que o presidente adie sua decisão.

Para alguns interlocutores, Thompson Flores seria um nome de peso para ocupar o vácuo deixado por Moro, o ministro mais popular do governo. O desembargador atuou, em novembro de 2019, no julgamento que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso envolvendo o sítio em Atibaia, no interior de São Paulo.

Bolsonaro, no entanto, resiste. Na avaliação de interlocutores, o presidente tem receio de não ter contato prévio com Thompson Flores e também porque quer evitar um desgaste como o que ocorreu com o Moro. Outra ponderação feita nos bastidores é que o desembargador é próximo do ex-juiz da Lava Jato.

Nos planos do presidente, ao indicar o Jorge Oliveira, para o Ministéro da Justiça, o secretário de Assuntos Estratégicos (SAE), o almirante Flávio Rocha, seria promovido a ministro-chefe da Secretária-|Geral. Nomeado em fevereiro, o militar já é um dos principais auxiliares do Planalto.

Entretanto, Oliveira já comunicou ao presidente que prefere não ficar com a pasta que era ocupada por Moro. Além de chefe da Secretaria-Geral, ele também comanda a Subchefia de Assuntos Jurídicos (SAJ), órgão que presta consultoria jurídica para atos do presidente.

O posto exige uma pessoa de confiança de Bolsonaro e encontrar um substituto é também um problema para o governo. Próximo da família Bolsonaro, Oliveira argumentou também que indicá-lo para o Ministério da Justiça pode potencializar a acusação de Moro de que o presidente quer interferir politicamente na Polícia Federal e ter acesso a relatórios de investigação.

Diante da resistência do ministro-chefe da Secretaria-Geral, é que o advogado-geral da União passou a ter a preferência do presidente. André Luiz Mendonça é próximo de Oliveira e ganhou a confiança de Bolsonaro. Caso ele seja o escolhido para substituir Moro, o presidente terá que encontrar um novo nome para a AGU.

Outro nome cotado para assumir o Ministério da Justiça é o ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo Ivan Sartori. Segundo o Estado apurou, o desembargador aposentado está mantendo conversas reservadas com interlocutores do presidente.

No mês passado, Sartori, que é pré-candidato a prefeito de Santos, furou o isolamento social, medida de combate ao coronavírus, e desafiou o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) a manter o fechamento das praias da cidade.

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