Ex-presidente do TJ de São Paulo faz campanha para ‘invadir a praia’

Ex-presidente do TJ de São Paulo faz campanha para ‘invadir a praia’

Pré-candidato a prefeito de Santos, desembargador aposentado foi relator do recurso que anulou júris do Carandiru; "É uma demagogia. Evidente... isso é desestabilizar o país", após ser parado por agentes municipais, enquanto corria na praia

Luiz Vassallo e Fausto Macedo

27 de março de 2020 | 16h23

Foto: Reprodução

Após ser abordado por agentes da Prefeitura de Santos, o ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador aposentado Ivan Sartori, desafiou o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) a manter o fechamento das praias da cidade. Pré-candidato na cidade, ele corria na praia quando foi abordado, e gravou um vídeo com um apoiador. “É uma demagogia. Evidente… isso é desestabilizar o país”.

Sartori questionou a política em razão do fato de as praias serem da competência da União Federal.

“O que aconteceu é que eu fui correr na praia, o pessoal veio me interpelar e eu disse o seguinte: por mais boa intenção que o prefeito possa ter, ele não tem autoridade sobre praia. Praia é União Federal, ele não pode fechar uma praia. Então eu estou aqui falando com o supervisor e estão esperando o que vai dar isso aí. Talvez, eles me levem preso, não sei, aí eles vão ter que enfrentar as consequências”, disse.

Um apoiador, que segurava o vídeo e gravava o celular anunciou, durante o vídeo, que haveria uma campanha, para neste domingo, ‘invadir a praia’. “Nosso direito de ir e vir, nossa liberdade. Somos pessoas honestas, somos trabalhadores, e precisamos mostrar pra eles quem manda nesse país. Que não é prefeito, não é governador”.

Sartori ainda completou. “Fechar praia, praia é união federal, mas, lógico, se tiver aglomeração vamos evitar e dispersar. Mas não tem ninguém nessa praia. Aí, se começar a juntar, vamos começar a dispersar”.

Em campanha nas suas redes, o desembargador aposentado ainda diz: “Isso não pode se radicalizar, gente, não podemos parar o país. Nós não podemos parar o país. Vai haver muita quebradeira. Não vai haver recursos públicos, porque não tem quem pague impostos. Gente, a crise pela qual vamos passar radicalizando, parando o país vai ser sem precedentes. Muito pior que essa contaminação pelo coronavírus”.

“Virou uma bagunça. prefeito fechando praia, prefeito fechando estrada. governador fechando aeroporto. o que virou o país? está uma loucura. um frenesi total. vamos tocar o país pra frente”, afirma.

Em das decisões mais notórias das quais participou na Corte, Ivan Sartori foi relator de recurso que terminou com a anulação dos júris haviam condenado 74 policiais militares pelo massacre do Carandiru, em que 111 detentos foram mortos, após uma rebelião, em 1992.

Após a decisão, tomada em 2016, o desembargador ainda insinuou em suas redes sociais que parte da imprensa e das organizações de direitos humanos é financiada pelo crime organizado.

“Diante da cobertura tendenciosa da imprensa sobre o caso Carandirú [sic], fico me perguntando se não há dinheiro do crime organizado financiando parte dela, assim como boa parte das autodenominadas organizações de direitos humanos”, disse à época.

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