Aras pede que governo apresente depoimento de Weintraub antes de se manifestar sobre suspensão do ‘inquérito das fake news’

Aras pede que governo apresente depoimento de Weintraub antes de se manifestar sobre suspensão do ‘inquérito das fake news’

O ministro da Educação foi incluído como investigado no processo após chamar ministros do STF de ‘vagabundos’ e pedir sua prisão; Ele compareceu hoje à PF para depor, mas escolheu 'fazer uso do seu direito ao silêncio'.

Rayssa Motta/SÃO PAULO e Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA

29 de maio de 2020 | 20h57

O procurador-geral da República, Augusto Aras, o ministro da Educação, Abraham Weintraub e Damares Alve: Fotos: Dida Sampaio/Estadão

O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu, nesta sexta-feira, 29, a inclusão do termo de depoimento do ministro da Educação, Abraham Weintraub, nos autos do habbeas corpus do governo federal que reivindica a suspensão do ‘inquérito das fake news’.

Documento

O PGR solicitou ainda uma cópia do documento em que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou o depoimento de Weintraub.

Segundo Aras, após a inclusão de ambos, ele se manifestará sobre o pedido do governo Bolsonaro de trancamento da investigação que, nesta semana, atingiu deputados, empresários, youtubers e outros apoiadores do presidente. O habbeas corpus foi assinado pelo ministro da Justiça, André Mendonça, sob alegação de que a fala de Weintraub se tratava de ‘exercício da liberdade de expressão’.

O ‘inquérito das fake news’, aberto em março do ano passado para apurar notícias falsas, ofensas e ameaças dirigidas a autoridades, incluindo ministros do STF, corre em sigilo na Corte sob relatoria de Alexandre de Moraes. Por isso, Aras não teve acesso aos procedimentos investigatórios.

O ministro da Educação foi incluído como investigado no processo após a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, na qual se refere aos integrantes do Supremo como ‘vagabundos’ e pede sua prisão. 

A gravação, obtida em outro inquérito do STF, que apura interferências do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal, foi tornada pública pelo ministro Celso de Mello. Após indicar ‘aparente prática criminosa’ na conduta de Weintraub, o decano enviou uma cópia do vídeo aos colegas para que eles adotassem medidas que julgassem ‘pertinentes’. 

O ministro Alexandre de Moraes, então, apontou indícios de crimes como difamação e injúria e determinou o depoimento. Weintraub compareceu hoje à sede da Polícia Federal, em Brasília, mas escolheu ‘fazer uso do seu direito ao silêncio’.

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