Ao mandar prender ex-secretário nacional de Justiça de Temer, Bretas vê ‘forte influência na administração pública’

Ao mandar prender ex-secretário nacional de Justiça de Temer, Bretas vê ‘forte influência na administração pública’

Leia a decisão do juiz da Lava Jato no Rio que decretou a prisão preventiva do procurador de Justiça aposentado Astério Pereira dos Santos

Pepita Ortega

05 de março de 2020 | 10h20

Juiz Marcelo Bretas. Foto: Marcos Arcoverde/Estadão

Ao decretar a prisão de Astério Pereira dos Santos, ex-Secretário Nacional de Justiça do governo Temer o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio destacou a ‘forte influência’ do ex-procurador de Justiça do Rio, inclusive em âmbito nacional. Astério é um dos principais alvos da nova fase da Lava Jato no Rio, a Titereiro, desencadeada na manhã desta quinta, 5.

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A operação realizada pela Polícia Federal nesta manhã cumpre nove mandados de prisão – seis de prisão preventiva e três de prisão temporária – e faz ainda buscas em 34 endereços no Rio e na Baixada Fluminense.

Entre os alvos das preventivas estão o procurador aposentado Astério Pereira dos Santos, seu suposto sócio, Carlson Ruy Ferreira, Vinícius da Silva Ferreira, filho de Carlson, além de Josemar Pereira, Marcelo da Silva Pereira e Viviane Ferreira Coutinho Alves.

Já as temporárias atingem Danilo Botelho dos Santos, filho de Astério, Pedro Navarro César e Thiago Bustamante.

Astério Pereira dos Santos, ex-Secretário Nacional de Justiça do governo Temer. Foto: Tasso Marcelo / AE

Na decisão que decretou as prisões, Bretas sinaliza que depoimentos e relatórios apontam para a existência de rede de pagamentos de propina relacionada às atividades da Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro, organizada pelos empresários Carlson Ruy e Astério por indicação tanto dos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio, quanto dos demais integrantes da associação criminosa chefiada por Sérgio Cabral, sendo tais valores ocultados, posteriormente por atos de lavagem de capital’.

Procurador de Justiça aposentado do Ministério Público do Rio, Astério chefiou a pasta entre 2003 e 2006, durante a gestão de Rosinha Garotinho.

Segundo Bretas, caso confirmadas as suspeitas apresentadas pelo Ministério Público Federal, ‘estaremos diante de graves delitos de corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro’.

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