A PF encontra Francisco, 73

A PF encontra Francisco, 73

Em 1982, Francisco das Chagas Teixeira, então com 35 anos, integrou o bando armado que atacou uma Brasília recheada com Cr$ 94 milhões de 15 mil trabalhadores atingidos pela seca e deixou um rastro de quatro mortes em Umarizal, no Rio Grande do Norte; terça, 3 de março de 2020, agentes federais o pegaram para cumprir a pena de 36 anos de reclusão

Pedro Prata

08 de março de 2020 | 06h00

Na última terça-feira, 3, a Polícia Federal anunciou a prisão de Francisco das Chagas Teixeira, de 73 anos, condenado a 62 anos de reclusão pelo assalto que ficou conhecido como ‘o maior roubo da história do Rio Grande do Norte’. Era 18 de maio de 1982. Um bando armado invadiu Umarizal, a 405 quilômetros de Natal, e levou Cr$ 94 milhões – a moeda do Brasil de João Figueiredo, o último dos generais do regime de exceção.

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Francisco tinha, então, 35 anos de idade. O dinheiro que ele seus asseclas levaram, uma fortuna, era destinado ao pagamento de trabalhadores do Plano de Emergência da Seca.

O ‘Roubo da Emergência’, como também ficou rotulado o ousado ataque da quadrilha, também deixou um rastro de sangue – quatro mortos, entre eles uma criança de seis anos.

Estadão de 19 de maio de 19821. Acervo Estadão

O julgamento do assalto começou em Natal em 19 de novembro de 1984. Já o processo pelos homicídios seguiu o rito do Tribunal do Júri. Assim, Francisco das Chagas Teixeira só foi condenado pelos assassinatos em 29 de junho de 1999, mais de 17 anos depois.

A sentença de 36 anos de reclusão pelos homicídios transitou em julgado em 30 de agosto de 2010 – mais de 28 anos depois. Em 21 de junho de 2012 foi expedido mandado de prisão contra o assaltante.

Foragido durante todos esses quase quarenta anos, o bandido acabou impune pelo roubo do dinheiro dos flagelados da seca. Afinal, este crime prescreveu – a pena só pelo assalto era de 26 anos.

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O mandado de prisão foi renovado em 16 de agosto de 2018 e tinha validade até 2030.

Na última terça, 3, enfim, a Polícia Federal pegou Francisco das Chagas Teixeira, agora com 73 anos.

Ele foi conduzido ao Centro de Triagem de Parnamirim 37 anos, 9 meses e 15 dias depois do ataque e seus crimes.

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Estadão de 20 de novembro de 1984. Acervo Estadão.

‘O maior assalto da história do Rio Grande do Norte’

Quatro homens armados com revólveres e metralhadoras assaltaram, às 11h de 18 de maio de 1982, em Umarizal – a 405 km de Natal – um carro dirigido por funcionários do Banco Econômico que transportava Cr$ 94 milhões.

O montante era destinado ao pagamento de 15.826 trabalhadores inscritos no Plano de Emergência da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste contra a seca.

O dinheiro era transportado da agência do Banco do Brasil em Caraúbas para a agência do Econômico em Umarizal. Em valores corrigidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-IBGE), o montante equivaleria a R$ 4,8 milhões.

No assalto, saiu ferido o vigilante Joaquim Oliveira, baleado durante a perseguição dos assaltantes ao carro conduzido pelos funcionários, uma Brasília. Os ladrões ocupavam um Corcel II azul, placas não identificadas, e fugiram rumo à fronteira do Ceará, a poucos quilômetros de Umarizal.

A Polícia Federal assumiu as investigações em julho daquele 1982. O então governador do Rio Grande do Norte, José Agripino Maia (PDS), pediu ajuda da PF ao Ministério da Justiça devido às constantes críticas que sofreu pela total falta de informações sobre o assalto e o inquérito.

Estadão de 15 de julho de 1982. Acervo Estadão

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