WhatsApp, Facebook, Google e Twitter vão firmar acordo de combate à desinformação com TSE
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WhatsApp, Facebook, Google e Twitter vão firmar acordo de combate à desinformação com TSE

Plataformas vão aderir à Programa de Enfrentamento à Desinformação com Foco nas Eleições 2020, mas ainda não está definido como será a participação das empresas de tecnologia

Alessandra Monnerat

17 de outubro de 2019 | 17h13

WhatsApp, Facebook, Google e Twitter devem firmar na próxima terça-feira, 22, a adesão ao programa de combate à desinformação proposto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), voltado para as eleições municipais do ano que vem. O TSE espera que as plataformas ajudem a impulsionar conteúdo informativo sobre a urna eletrônica e o processo eleitoral, mas ainda não está definido como será a participação das empresas de tecnologia.

De acordo com Ana Cristina Rosa, assessora-chefe do TSE, o sinal de cooperação é um avanço em relação ao ano passado, quando o WhatsApp não adotou as medidas propostas para coibir a disseminação de conteúdo enganoso na plataforma.

A assessora-chefe do TSE, Ana Cristina Rosa. FOTO: FELLIPE SAMPAIO/TST

“No ano passado, contamos com uma série de iniciativas por parte das plataformas, como Twitter, Facebook e Google“, disse. “Isso foi muito importante. Mas, no caso específico do WhatsApp, foi muito difícil. Agora isso parece estar mudando, eles estão mais abertos.”

Ainda não se sabe o que o WhatsApp fará para coibir o disparo pago de mensagens. “Essa questão está judicializada, em avaliação do tribunal”, disse Ana Cristina. “Nessa semana houve movimentos nesse processo, pelo reconhecimento do WhatsApp de que houve sim disparos múltiplos em massa. Mas não houve ainda essa conversa (entre TSE e WhatsApp).”

Além das empresas de mídia social, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) também aderiu ao programa de enfrentamento da desinformação do TSE. A expectativa do tribunal é que o órgão auxilie no monitoramento de boatos.

“Recentemente, a Presidência da República montou uma espécie de equipe de checagem”, explica Ana Cristina. “Nossa expectativa é contar com apoio desse grupo no monitoramento das redes, especialmente da deep web (páginas da internet que não estão indexadas em mecanismos de busca). No momento, não temos esse alcance.”

Outras 35 entidades aderiram ao Programa de Enfrentamento à Desinformação com Foco nas Eleições 2020, entre agências de checagem, partidos políticos e entidades da sociedade civil. A iniciativa prevê eixos de ação em educação midiática, treinamento e melhoria do arcabouço legislativo, mas ainda não há planos específicos para o ano que vem. Uma das inspirações é a atuação do Instituto Nacional Eleitoral (INE) do México.

O Estadão Verifica entrou em contato com as quatro plataformas. O Facebook respondeu que não iria se posicionar sobre o assunto. O Google comunicou que tem “desenvolvido uma parceria produtiva com o TSE nos últimos anos e o Programa de Enfrentamento à Desinformação com Foco na Eleição 2020 é mais um passo importante na construção de iniciativas inclusivas e multissetoriais para lidar com este fenômeno”.

O Twitter confirmou a assinatura do termo de adesão e afirmou que “como próxima etapa, serão definidas as ações e iniciativas a serem implementadas pela plataforma”.

Ana Cristina Rosa participou do seminário “Desinformação: Antídotos e Tendências”, promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ).

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