Vídeo que faz acusação de fraude em urnas eletrônicas é enganoso
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Vídeo que faz acusação de fraude em urnas eletrônicas é enganoso

Ministério Público investigou e não viu indícios de irregularidades; caso foi arquivado

Estadão Verifica

26 de setembro de 2018 | 17h48

checagem abaixo foi publicada pelo Projeto Comprova. A verificação foi realizada por uma equipe de jornalistas do Jornal do Commercio e da Gazeta do Povo. Outras redações concordaram com a checagem, no processo conhecido como “crosscheck”.

Projeto Comprova é uma coalizão de 24 veículos de mídia com o objetivo de combater a desinformação durante o período eleitoral. Você pode sugerir checagens por meio do número de WhatsApp (11) 97795-0022.

Um vídeo gravado nas eleições municipais de 2016 voltou a viralizar nas redes sociais como suposta comprovação de fraude nas urnas eletrônicas. As imagens mostram fiscais do TSE procurando – sem sucesso – as “mídias” das urnas, que deveriam estar nos envelopes, enquanto uma outra pessoa filma tudo. A postagem é enganosa, pois não dá o contexto da situação, nem explica a resolução do caso.

Uma postagem feita por um usuário do Facebook afirma que “envelopes que deveriam conter as mídias, estão VAZIOS. Menores de idade manuseando envelopes onde deveriam estar as mídias, pessoas sem identificação. Mídia é praticamente o cartão de memória onde se computam os votos. Se não estão lá é pq alguém já está fraudando os votos para as eleições para o candidato comunista”.

O post ainda acompanha um trecho do comentário de Paulo Martins no Jornal Tarobá Primeira Edição, de Cascavel (PR), que não tem relação direta com o caso, mas faz referências a possíveis fraudes nas urnas.

O caso ocorreu na cidade de Extrema (MG), nas últimas eleições para prefeito. Segundo a Justiça Eleitoral do município, a questão surgiu em função de um presidente de seção acondicionar a mídia de resultado de uma urna eletrônica no envelope errado. “Ao invés de colocar no envelope específico (branco), colocou em outro (pardo)”, explicou o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG).

O post de 2018 não diz o local em que o vídeo foi filmado. Porém, no diálogo das pessoas, é possível discernir dois locais que serviam de local de votação: Odete Valadares e Dom Bosco. Uma busca rápida no Google aponta que esses locais são duas escolas que existem na cidade de Extrema, em Minas Gerais. Um outro vídeo, publicado no Youtube um dia antes do post que motivou a investigação (16 de setembro), diz que o mesmo foi feito por “Reinaldo candidato a prefeito de estrela (sic), na época viu o que estava acontecendo e começou a gravar o flagrante”.

Com essas informações, chegamos a Reinaldo de Andrade, que foi candidato à prefeitura de Extrema pelo PSD em 2016. Não encontramos os vídeos originais nas suas redes sociais, mas em outro vídeo, de 5 de agosto de 2018, Reinaldo conta a história toda e confirma que foi ele quem filmou as ações no cartório eleitoral de Extrema.

O Comprova entrou em contato com o TRE-MG, que confirmou que “quando o material chegou na junta apuradora e a mídia dessa urna não foi encontrada no envelope branco, o candidato a prefeito Reinaldo filmou a ação da procura da mídia e, em seguida, deu repercussão ao caso nas redes sociais”. De acordo com o TRE-MG, Reinaldo protocolou na ocasião uma reclamação na Polícia Federal, em Varginha (Sul de Minas, mesma região de Extrema), que encaminhou ao Ministério Público – “que, por sua vez, não viu indício de irregularidade e pediu arquivamento do caso. O Juiz Eleitoral então o arquivou”.

A postagem do vídeo no Facebook foi feita no dia 17 de setembro, e na manhã do dia 26 já passava dos 29 mil compartilhamentos e 1,5 mil comentários. O pedido de verificação foi enviado pelo WhatsApp do Comprova. Recebeu algum conteúdo duvidoso sobre as eleições presidenciais e quer sugerir uma verificação? Mande uma mensagem para o WhatsApp do Comprova (11) 97795-0022 .

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