Vídeo de rebelião em presídio do RN tem áudio adulterado para incluir gritos de apoio a Lula

Vídeo de rebelião em presídio do RN tem áudio adulterado para incluir gritos de apoio a Lula

Gravação de 2016 foi editada para parecer que presidiários comemoravam decisão do ministro Edson Fachin que beneficiou ex-presidente

Pedro Prata

09 de março de 2021 | 18h32

É falso que presos no Rio Grande do Norte tenham comemorado a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin que anulou condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Operação Lava Jato. O canal Terça Livre divulgou no Instagram um vídeo antigo, que teve o áudio adulterado para incluir referências ao petista. A postagem teve 133.878 visualizações nas primeiras 12 horas após a publicação e acabou retirada do ar, mas foi replicada no Twitter.

Foto: Reprodução

“Os apoiadores de Lula gostaram da decisão do Fachin”, diz a legenda da publicação, para reforçar o sentido enganoso do vídeo. Nas imagens, é possível ver homens sem camisa e rostos cobertos, numa sala ou corredor. Eles estão pulando e pode-se ouvir “Olê olê olê olá, Lula, Lula”, música que costuma ser cantada por correligionários do petista e foi sobreposta ao vídeo.

O vídeo original foi postado inicialmente em julho de 2016 no YouTube. Na ocasião, o Rio Grande do Norte registrou rebeliões em alguns presídios. No áudio original, os detentos gritam: “Uh, é a massa”.

Ao comparar o vídeo adulterado com o vídeo original, é possível ver detalhes em comum que permitem concluir se tratar da mesma situação, como um detento carregado nos ombros de outro e detalhes na parede.

Vídeo adulterado (esquerda) e o vídeo original (direita). Foto: Reprodução

Em 2019, uma versão deste boato foi desmentida pelo Fato ou Fake. Na ocasião, o vídeo circulou nas redes sociais com outro áudio adulterado, como se fosse uma comemoração dos detentos pela soltura do ex-presidente Lula. Na ocasião, o petista havia sido beneficiado por mudança de entendimento do STF, que decidiu ser inconstitucional a prisão após condenação em segunda instância.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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