Vídeo de prefeito de BH em restaurante em 2018 é compartilhado como se fosse recente
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Vídeo de prefeito de BH em restaurante em 2018 é compartilhado como se fosse recente

Publicações enganosas afirmam que Alexandre Kalil foi almoçar em cidade vizinha após ter fechado comércio da capital mineira por causa da pandemia; deputado federal Osmar Terra divulgou a gravação fora de contexto

Gabi Coelho, especial para o Estado

06 de agosto de 2020 | 12h34

Voltou a circular no Facebook um vídeo de 2018 em que o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS),  é surpreendido pelo então candidato a deputado estadual Bernardo Bartolomeo Moreira (NOVO), mais conhecido como Bartô. Na gravação, o parlamentar mineiro questiona o gestor municipal em um restaurante no bairro Lourdes, em Belo Horizonte, sobre a utilização de dinheiro público para o custeio de uma viagem da Prefeitura a Brasília. A publicação viralizou fora de contexto nas redes sociais com legendas que afirmam se tratar de um acontecimento recente.

Publicação fora de contexto afirma que prefeito de Belo Horizonte se envolveu em briga durante a pandemia

O vídeo, feito em julho de 2018, foi compartilhado recentemente com a legenda falsa pelo deputado federal Osmar Terra (MDB), que já ocupou o cargo de ministro da Cidadania do governo Bolsonaro. O parlamentar republicou um tuíte que afirmava que Kalil tinha ido almoçar em uma restaurante em Nova Lima, cidade vizinha de Belo Horizonte, apesar de ter decretado o fechamento do comércio da capital mineira por conta da covid-19.

O parlamentar excluiu a postagem fora de contexto após a repercussão negativa — a Rádio Band News, o jornal O Tempo e o portal Hoje Em Dia também desmentiram a publicação duvidosa.

Procurada pelo Estadão Verifica, a Prefeitura da capital mineira informou que a viagem questionada pelo deputado estadual Bartô no vídeo foi feita pelo procurador-geral de Belo Horizonte, Thomáz de Aquino. Ele substituiu Alexandre Kalil em uma reunião com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 3 de maio de 2018. O prefeito não foi a Brasília porque teve um problema de saúde de última hora. Na época, o caso ganhou repercussão pelo alto investimento na passagem — R$ 63 mil.

A Prefeitura de BH afirmou que a viagem foi “concedida de última hora e, por isso, foi necessário fretar uma aeronave”. Segundo o governo municipal, a reunião tinha o objetivo de tratar de verbas não repassadas pelo governo estadual. “Três dias após a viagem, o município recebeu R$ 180 milhões desses recursos que estavam atrasados”, comunicou a Prefeitura em nota.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

 

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