Vídeo de dança em rua de Milão é verdadeiro, mas quarentena não acabou na cidade
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Vídeo de dança em rua de Milão é verdadeiro, mas quarentena não acabou na cidade

Itália passa por flexibilização do isolamento, mas autoridades expressam cautela e aglomerações são proibidas

Estadão Verifica

12 de maio de 2020 | 11h41

Viralizou nas redes sociais um vídeo que mostra moradores de Milão, epicentro da covid-19 na Itália, comemorando o fim da quarentena. Eles dançam na região de Porta Venezia ao som de um DJ que toca na janela de um prédio. Apesar de o vídeo ser verdadeiro, não é correto afirmar que a quarentena foi interrompida totalmente na cidade.

No dia 4 de maio, após 56 dias de bloqueio total em que 60 milhões de pessoas foram obrigadas a ficar em casa, o país reabriu quase cem setores para retomar a economia italiana. Entre eles estão as indústrias, fábricas, construção civil, comércio por atacado e escritórios.

Praça Veneza volta a ter frequentadores em Roma com flexibilização de confinamento Foto: Nadia Shira Cohen/The New York Times

Mesmo com a flexibilização da quarentena, as determinações de distanciamento social permanecem, como tem sido feito no Brasil. Ainda que algumas pessoas no vídeo usem máscaras, a gravação mostra uma aglomeração, o que ainda não é permitido. As imagens geraram incômodo no prefeito de Milão, Giuseppe Sala.

No dia 8 de maio, ele se pronunciou em sua conta oficial do Twitter com “um ultimato” para quem descumprir as regras durante a pandemia, Sala repudiou a atitude dos moradores como “deprimente” e “vergonhosa”. O aís chegou a mais de 30 mil mortes nesta segunda-feira, 11, de acordo com a Defesa Civil.

“Estamos em uma profundíssima crise socioeconômica. Milão precisa voltar a trabalhar. Este é o ponto, não é uma vontade, é uma necessidade. Eu estarei sempre do lado daquelas famílias que vão trabalhar, não se divertir. Não vou permitir que quatro camaradas sem máscara, um do lado do outro, coloquem em discussão tudo isso”, concluiu.

Em fevereiro, quando a Itália havia registrado 14 mortos por covid-19, o prefeito compartilhou um vídeo da campanha ‘Milão não para’, contra a interrupção das atividades econômicas. Quase um mês depois, quando o número de infectados na região da Lombardia chegou a mais de 4 mil, Giuseppe Sala admitiu durante o programa “Che tempo che fa” ter errado ao apoiar que a cidade não paralisasse suas atividades.

Infectologista explica as diferenças de isolamento

O infectologista Leandro Curi explicou os termos usados durante a pandemia do novo coronavírus, como por exemplo, o isolamento social e vertical. Segundo o médico, “o social não importa se a pessoa é do grupo de risco ou não, ele fica em casa e ninguém se contamina. O isolamento vertical é somente para grupo de risco e quem testa positivo para a covid-19. É arriscado. Acredito que ou faz todo mundo ou não faz ninguém, se tratando de um país que não tem testes para todo mundo”.

Ele também explica que o bloqueio total ocorre quando as pessoas saem somente quando é necessário. Nesse caso, apenas profissionais da saúde e pessoas que vão fazer compras no supermercado e farmácias podem sair de casa. Nessa situação, também é necessário mostrar para as autoridades quais são os motivos pelos quais elas estão saindo. “É uma medida bem mais restritiva e ainda não vivemos isso em nossa história recente”.

Sobre a quarentena, popularmente usada no Brasil, o infectologista afirma que é um termo genérico. “É quando um indivíduo precisa ficar isolado, não a sociedade. É o momento de isolamento, mas se concentra mais no indivíduo do que na população em geral. São diferenças de conceitos mostrando como esse isolamento pode ser feito, em graus mais rígidos ou em graus mais relaxados”.

 Nesta segunda-feira, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez um novo alerta para que os países que estejam flexibilizando os confinamentos e bloqueios totais impostos no início da pandemia o façam de maneira gradual e cautelosa, pois é um processo difícil, sem resultados conhecidos e que requer aprendizado diário.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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