Vídeo de ato na Argentina não tem relação com protestos contra estatização de empresa

Vídeo de ato na Argentina não tem relação com protestos contra estatização de empresa

Gravação mostra marcha de apoio à reeleição do então presidente Maurício Macri, em outubro de 2019

Estadão Verifica

23 de junho de 2020 | 12h59

Não é deste ano o vídeo que circula nas redes sociais de um suposto protesto em Buenos Aires, na Argentina, contra o presidente Alberto Fernández. É verdade que foram registradas manifestações contra o governo recentemente, mas a gravação em questão mostra um ato em favor da reeleição do então presidente argentino, Mauricio Macri, em outubro de 2019. 

No vídeo publicado no Instagram, é possível ver pessoas aglomeradas nas proximidades do Obelisco da cidade. Também são perceptíveis bandeiras azuis e um palco com o cartaz “Sí se Puede”, slogan do ato chamado “Marcha do Milhão”. Segundo o jornal La Nación, cerca de 320 mil pessoas estiveram presentes. Já o Ministério da Segurança afirma que o público foi de quase 1 milhão. 

O vídeo do ato pró-Macri começou a circular fora de contexto no início deste mês. No dia 8 de junho, o presidente Alberto Fernández decretou a estatização da empresa Vicentín por 60 dias. O grupo é o quarto maior produtor de soja do país latino-americano e havia pedido a recuperação judicial em fevereiro — a companhia tem dívida de US$ 300 milhões com o estatal Banco de La Nación.

Analistas apontam que o decreto do governo argentino acendeu temores de volta ao kirchnerismo. A ex-presidente Cristina Kirchner é vice de Fernández. O presidente pretende ainda enviar um projeto de lei ao Congresso para firmar a exportadora como empresa de interesse nacional e estatizá-la em caráter permanente.

A atitude de Fernández é vista com pouca simpatia por líderes agrícolas, que têm feito protestos na cidade. No dia 20 de junho, milhares foram às ruas contra a medida de interferência na Vicentín.

Aos Fatos, Agência Lupa, AFP e Boatos.Org também checaram este vídeo. 

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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