Vídeo de cantor francês é editado para incluir vaia a funk de Bolsonaro

Vídeo de cantor francês é editado para incluir vaia a funk de Bolsonaro

Conteúdo original mostra artista cantando hino do Paris Saint Germain durante show em Nice, na França 

Marcela Villar, especial para o Estadão

19 de julho de 2022 | 17h08

Atualizada às 18h06 de 19 de julho de 2022 para inclusão de posicionamento do autor da postagem.

É falso vídeo que mostra um artista no palco sendo agredido com copos e garrafas depois de cantar um funk com o nome do presidente Jair Bolsonaro (PL) — uma paródia da música “Baile de Favela”, gravada por MC Reaça, morto em 2019. O vídeo foi editado para incluir um áudio com o funk e gritos a favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na verdade, a situação mostrada nas imagens ocorreu em um show em Nice, na França. O cantor em questão, Michaël Youn, foi vaiado após cantar o hino do time Paris Saint-Germain (PSG).

Isso desagradou a plateia, que reagiu com vaias, por conta do PSG ser uma equipe de Paris, rival do time da região sul francesa. Mas tudo não passou de uma brincadeira, como explicou um jornal local. O evento ocorreu no dia 8 de julho. 

O vídeo com áudio alterado para incluir referências a Bolsonaro e Lula foi compartilhado milhares de vezes no Facebook, inclusive pelo ex-deputado federal Marco Maia (PT), na última segunda-feira, 18. Ele postou o vídeo com a seguinte legenda: “O cara foi cantar a música do ‘bozo’ e recebeu uma chuva de lata, e ainda ouviu o canto do momento, se deu mal”. A publicação alcançou mais de 8,2 mil curtidas, 4,1 mil compartilhamentos e 2 mil comentários. 

Por telefone, o ex-deputado afirmou que não estava sabendo da postagem e disse que verificaria com a assessoria dele, responsável por administrar suas publicações nas redes. Marco Maia retornou alegando que foi “erro de avaliação” do responsável pela postagem e que ele foi afastado da função.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.