Veja qual a orientação para descartar lixo de pessoas infectadas pela covid-19

Veja qual a orientação para descartar lixo de pessoas infectadas pela covid-19

Prática de amarrar sacos com fitas vermelhas não é adotada nas coletas de São Paulo, Rio e Porto Alegre; comunicado sobre o assunto circula fora de contexto nas redes sociais

Gabi Coelho, especial para o Estadão

10 de março de 2021 | 11h20

Um aviso sobre a coleta de lixo durante a pandemia de covid-19 circula fora de contexto nas redes sociais. Uma postagem que viralizou no Facebook indica que os resíduos de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus sejam descartados em um saco amarrado com fita vermelha, que deve ser desinfetado. Embora essa prática seja recomendada pelos serviços de limpeza de alguns municípios, ela não é adotada em todo o País. Em São Paulo, por exemplo, a Amlurb orienta apenas a ensacar o lixo contaminado duas vezes.

No ano passado, o comunicado circulou nas redes sociais atribuído à Prefeitura de Porto Alegre. À Agência Lupa, o município informou que não adotava esse protocolo de descarte de lixo. Cidades como Tupã (SP), Jales (SP), Canelinha (SC) e Triunfo (RS), no entanto, indicam o uso de fitas vermelhas.

A recomendação na capital paulista é usar sacos de lixo descartáveis e resistentes, com enchimento de até dois terços da capacidade. Resíduos como lenço, papel higiênico, luvas e máscaras podem ser descartados no lixo comum. A Amlurb pede ainda que o horário de coleta seja respeitado.

No Rio, a Comlurb também indica descartar o lixo em sacos resistentes. O órgão de limpeza municipal orienta ainda que a embalagem seja “borrifada com uma solução desinfetante (água sanitária ou hipoclorito)” e colocada para coleta uma hora antes de o caminhão passar.

Essas orientações de prevenção e controle foram publicadas em maio do ano passado em uma nota técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para serviços de saúde durante a pandemia, para casos suspeitos ou confirmados do novo coronavírus.

De qualquer forma, o risco de contaminação por covid-19 tocando uma superfície é muito pequeno. Em fevereiro deste ano, a agência americana de vigilância sanitária, a FDA (Food and Drug Administration), e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicaram, com base em um consenso científico internacional, que é “muito improvável” a transmissão de coronavírus por alimentos ou por suas embalagens.

A FDA argumenta que “o número de partículas de vírus que teoricamente poderiam ser captadas tocando uma superfície seria muito pequeno e a quantidade necessária para infecção por inalação oral seria muito alta”.

Como os profissionais de limpeza urbana devem se proteger

A engenheira sanitária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Juliana Calábria de Araújo comenta que é indicado que os serviços de limpeza adicionem no próprio caminhão de lixo uma solução de hipoclorito de sódio [desinfetante] para matar e inativar qualquer vírus. “Os garis devem estar usando todos os equipamentos de proteção para não se contaminar, nem com esse vírus e nem com outros microrganismos patogênicos que porventura estiverem no resíduo”, disse ela.

Juliana também explica como é o processo após o lixo ser recolhido e encaminhado para a triagem no galpão de reciclagem: “Lá [no galpão] se adiciona uma solução de hipoclorito de sódio. O lixo é coberto e deixado de quarentena por até sete dias, para somente depois haver a triagem daqueles materiais que podem ser reciclados”.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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