Filme de 1963 chamado ‘A Variante Ômicron’ não existe

Filme de 1963 chamado ‘A Variante Ômicron’ não existe

Cartaz que circula nas redes sociais foi manipulado para incluir nome da cepa de covid-19; na realidade, o pôster é do longa 'Fase IV: Destruição', ficção científica sobre a guerra de humanos contra formigas

Alessandra Monnerat

02 de dezembro de 2021 | 13h40

É falso que exista um filme de 1963 chamado A Variante Ômicron. Circula nas redes sociais o suposto cartaz de um longa que teria previsto o surgimento da nova cepa de covid-19. A imagem, na realidade, foi manipulada a partir do pôster de um filme chamado Fase IV: Destruição, de 1974.

Para encontrar o cartaz original, usamos a ferramenta de busca reversa de imagens do Google (veja como usar aqui). Os resultados são de blogs sobre cinema em espanhol (1, 2) que falam a respeito do filme de 1974, dirigido pelo designer americano Saul Bass. Veja abaixo.

Cartaz em blog sobre cinema. Foto: Reprodução/Blog Abandomoviez

O longa nada tem a ver com vírus ou variantes. Segundo a página do filme no IMDb (uma base de dados sobre obras cinematográficas), a ameaça à humanidade da vez eram formigas. Os insetos formaram uma inteligência coletiva e passaram a travar uma guerra contra os humanos. Coube a dois cientistas e uma garota a missão de destruir as formigas.  

A tagline do filme é “O dia em que a Terra se tornou um cemitério”, assim como aparece no cartaz compartilhado nas redes. Também é verdade que o longa ganhou um prêmio do Festival de Ficção Científica de Trieste, na Itália

O Estadão Verifica buscou no IMDb por filmes que tivessem o nome Ômicron. O único resultado encontrado foi Omicron, o Agente do Espaço, de 1963, dirigido pelo italiano Ugo Gregoretti. 

Trata-se de uma comédia de ficção científica — segundo o IMDb, é a história de um alienígena que invade o corpo de um terráqueo para aprender mais sobre a raça humana e tomar conta do planeta. Não há menção a variantes, vírus ou à pandemia de covid-19.

O nome utilizado para batizar a cepa de covid-19 é uma letra grega — assim como o nome de variantes anteriores, como a Delta. Portanto, é normal que esses termos apareçam em obras culturais anteriores à pandemia. Veja o que sabemos até agora sobre a cepa Ômicron da covid-19.

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