Vacina de Cuba contra coronavírus é ficção
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Vacina de Cuba contra coronavírus é ficção

Cuba firmou parceria com China para curar pacientes com interferon alfa 2B, medicamento que já existia; saiba mais sobre o boato

Alessandra Monnerat

12 de março de 2020 | 16h53

 

Leia a versão em espanhol

Ainda não existe uma vacina contra o novo coronavírus. Publicações nas redes sociais afirmam que Cuba já desenvolveu a imunização contra o vírus, o que é falso. Na verdade, o governo cubano firmou uma parceria com a China para tratar pacientes do covid-19 com o medicamento interferon alfa 2B. De acordo com o Granma, jornal oficial da ilha, o remédio obteve resultados positivos na cura de 1.500 pacientes chineses.

O interferon alfa 2B não é um medicamento novo. De acordo com a Fiocruz, ele tem sido usado em pacientes de hepatite B, hepatite C, leucemia e outros.

Documento

A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que ainda não existem medicamentos ou terapias comprovadamente capazes de evitar a infecção pelo novo coronavírus. A entidade informa que o vírus é tão novo e diferente que precisa de uma vacina própria. As imunizações contra pneumonia e gripe não oferecem proteção contra o SARS-Cov-2. Até agora, a forma mais eficaz de se proteger é com medidas de higiene simples, como higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel.

Turistas usando máscaras em Cuba. Foto: AP Photo/Ramon Espinosa

A OMS tem apoiado cientistas que estão pesquisando opções de vacina. No entanto, ainda não há previsão de quando elas podem ser liberadas para o público. De acordo com o Instituto Butantan, “o processo de pesquisa e desenvolvimento de uma nova vacina é constituído de diversas etapas, tratando-se, portanto, de um processo demorado, de alto investimento e associado a riscos elevados”. 

A primeira etapa de desenvolvimento de uma vacina é de pesquisa básica; depois, são realizados estudos pré-clínicos (sem pessoas). Só então a imunização é testada em seres humanos e, após um longo processo, pode ser disponibilizada para a população.

O Estadão Verifica também entrou em contato com a BioFarmaCuba, empresa citada como responsável pelo desenvolvimento da vacina na ilha. Não obtivemos resposta até a publicação desta checagem.

O E-Farsas também checou esse boato.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

Versão em espanhol

Texto traduzido pelo LatamChequea, grupo colaborativo que reúne dezenas de fact-checkers da América Latina no combate à desinformação relacionada ao novo coronavírus.

La vacuna de Cuba contra el coronavirus es una invención

Aún no existe una vacuna contra el nuevo coronavirus. Publicaciones en las redes sociales afirman que Cuba ya desarrolló la inmunización contra el virus, afirmación que es falsa. En realidad, el gobierno cubano firmó una alianza con China para tratar pacientes con Covid-19 con el medicamento interferón alfa 2B. Según Granma, periódico oficial de la isla, el remedio obtuvo resultados positivos en la cura de 1500 pacientes chinos.

El interferón alfa 2B no es un medicamento nuevo. De acuerdo con la Fundación Fiocruz, el mismo fue utilizado en pacientes con hepatitis B, hepatitis C, leucemia y otros.

Documento

La Organización Mundial de la Salud (OMS) señala que aún no existen medicamentos o terapias capaces de evitar la infección por el nuevo coronavirus. La entidad informa que el virus es tan nuevo y diferente que necesita una vacuna propia. Las inmunizaciones contra la neumonía y la gripe no ofrecen protección contra el SARS-CoV-2. Hasta el momento, la forma más eficaz de protegerse es con medidas de higiene simples, como higienizarse las manos con agua y jabón o con alcohol en gel.

La OMS está apoyando a científicos que investigan opciones de una vacuna. Sin embargo, todavía no existe previsión respecto de cuándo las vacunas podrán estar disponibles para el público. Según el Instituto Butantan, “el proceso de investigación y desarrollo de una nueva vacuna se compone de diversas etapas tratándose, por lo tanto, de un proceso largo, con una alta inversión y asociado a riesgos elevados”.

La primera etapa de desarrollo de una vacuna es de investigación básica; posteriormente se realizan estudios pre-clínicos (sin personas). Solo entonces se prueba la inmunización en seres humanos y, luego de un largo proceso, puede estar disponible para la población.

Estadão Verifica además contactó a BioFarmaCuba, empresa citada como responsable del desarrollo de la vacuna en la isla. Hasta la publicación de esta verificación, no obtuvimos respuesta.

E-Farsas también chequeó este rumor.

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