Uso de máscaras deve ser combinado com distanciamento social para evitar transmissão da covid-19
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Uso de máscaras deve ser combinado com distanciamento social para evitar transmissão da covid-19

Postagens que questionam efetividade de medidas de proteção contra o novo coronavírus viralizaram no Facebook

Tiago Aguiar

08 de março de 2021 | 18h43

“Se as máscaras funcionam, por que fechar o comércio? Se não funcionam, por que usar?” Esses questionamentos circulam em postagens virais no Facebook, e divulgam a ideia errada de que medidas de proteção contra a covid-19 não são necessárias. Especialistas consultados pelo Estadão Verifica explicam que esses cuidados são eficazes, mas devem ser adotados de maneira complementar. A conscientização a respeito dessas ações de prevenção é ainda mais urgente agora, que o Sistema Único de Saúde (SUS) passa pelo momento mais crítico desde o início da pandemia, com recorde de número de casos e mortes pelo novo coronavírus no País.

O médico e advogado sanitarista Daniel Dourado, pesquisador do Centro de Pesquisa em Direito Sanitário da Universidade de São Paulo (USP), diz que as medidas para redução do risco de transmissão, isoladamente, não são 100% eficientes. Por isso, precisam ser somadas. “O fechamento de comércio é uma medida que visa a reduzir a circulação de pessoas para minimizar a transmissão comunitária do vírus”, explica ele. “Enquanto máscaras são barreiras mecânicas, para a diminuir o risco de contaminação (individual)“.

Cartaz recomenda o uso de máscara em Salt Lake City, nos Estados Unidos. Foto: AP Photo/Rick Bowmer

No último dia 28, 46 entidades médicas assinaram um manifesto para apoiar e reforçar a necessidade do uso de máscara como instrumento de combate ao novo coronavírus. Na nota, entidades médicas como a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia defendem não só o uso das máscaras, como também ações para contenção da pandemia da covid-19. Isso inclui o distanciamento físico, o não compartilhamento de objetos de uso pessoal e a higienização das mãos.

“Todas as medidas são importantes e devem ser associadas conforme o momento e a situação de controle da epidemia”, complementa Dourado. “Mas só o uso de máscaras não é suficiente para reduzir drasticamente a transmissão em situações de propagação acelerada do vírus”.

O médico Guilherme Spaziani, do Instituto de Infectologia Hospital Emílio Ribas, reforça que o importante é a combinação de medidas de prevenção: “Desde o início da pandemia aprendemos que a melhor maneira de evitar a transmissão do novo coronavírus se dá por um conjunto de medidas que, juntas, tem uma eficácia excelente. As principais medidas são: distanciamento social; evitar aglomerações; uso de máscaras adequadas o tempo todo, cobrindo nariz e boca; higienização das mãos, com água e sabão ou álcool em gel de mão.”

Mulher com máscara passa em frente a mural em homenagem a médicos em rua de Mumbai, na Índia. Foto: REUTERS/Francis Mascarenhas

Nesta semana, a média de mortes por covid-19 foi recorde por nove dias consecutivos. De acordo com o levantamento do consórcio de veículos de imprensa, a média móvel dos últimas 7 dias é de 1.497 mortes diárias. Neste domingo, 8, o total de óbitos pela doença chegou a 265.500.

“Dentro do contexto que estamos vivendo neste momento com as novas variantes mais infectantes e os efeitos das aglomerações das festas de carnaval, precisamos mais do que nunca de distanciamento social e seguir à risca todas as medidas conhecidas para evitar um colapso do sistema de saúde”, alerta Spanziani. “Isso está na iminência de acontecer uma vez que quase não há mais vagas nos hospitais”.

Uma referência de material científico que demonstra a diminuição do risco de contágio conforme mais medidas de prevenção são tomadas é uma tabela desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Oxford e do Massachusetts Institute of Technology (MIT). O quadro mede o risco de contágio pela covid-19 considerando fatores como circulação de ar, tamanho da aglomeração e tempo de exposição ao vírus. Os níveis de risco apresentados não são absolutos e não levam em consideração a susceptibilidade à infecção de cada paciente, padrões de fluxo de ar e a distância entre uma pessoa saudável e outra infectada. 

Questionamentos circulam desde maio de 2020

As postagens com questionamentos sobre as medidas de proteção começaram a circular no Facebook em maio de 2020, segundo a ferramenta CrowdTangle. Os posts voltaram a circular com muitos compartilhamentos a partir da segunda semana de fevereiro, passando de 2 mil interações (soma de curtidas, comentários e compartilhamentos) em uma semana. No mesmo período, novas regras de combate à pandemia de covid-19 em centenas de municípios começaram a ser discutidas e veiculadas, devido ao aumento na taxa de registros de morte e de ocupação de hospitais.

Segundo reportagem da Agência Mural de maio de 2020, o questionamento redigido desta forma já circulava no Facebook em páginas de Guaianases e Cidade Tiradentes, bairros da zona leste, na periferia de São Paulo. Uma versão parecida desta checagem foi feita pela AFP Checamos.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

 

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