Tabela de mortes do Datasus compartilhada em redes sociais tem números falsos

Tabela de mortes do Datasus compartilhada em redes sociais tem números falsos

Post alega que dados são de janeiro a março de 2020, mas o portal do Ministério da Saúde só possui informações consolidadas até 2018

Pedro Prata

15 de abril de 2020 | 19h12

Uma tabela compartilhada no Facebook e no WhatsApp que compara o número de mortos pela covid-19 com o de outras doenças contém dados falsos. Os números listados na imagem não correspondem às informações disponíveis no Datasus, o portal de dados do Sistema Único de Saúde. A plataforma só possui registros consolidados de óbitos até 2018.

Isso porque os dados de mortes são notificados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e são fechados a cada dois anos, segundo informou em nota o Ministério da Saúde. O Datasus possui dados de morbidade hospitalar de janeiro e fevereiro de 2020, mas estes números referem-se apenas a mortes ocorridas em hospitais do SUS. Neste caso, os números ficam muito abaixo daqueles apresentados na tabela compartilhada nas redes sociais (veja abaixo).

Foto: Reprodução/Facebook

Até mesmo a informação sobre o número de mortos da covid-19 está incorreta. A tabela aponta que a doença causada pelo novo coronavírus levou à morte 946 pessoas até o dia 10 de março. Dados do Ministério da Saúde registram total de 1.056 até a data citada.

O Ministério da Saúde acrescentou, em nota, que é equivocado comparar as causas de óbito dessa forma. “Isso porque pacientes que vieram a óbito poderiam ter mais de uma comorbidade. Já em relação à covid-19, várias são as comorbidades associadas nos casos dos pacientes que vieram a óbito. Desta maneira, fazer tal comparativo torna-se inviável”, informou a pasta.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas: apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.