Radialista dos EUA espalha desinformação sobre coronavírus, e boatos já circulam em português
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Radialista dos EUA espalha desinformação sobre coronavírus, e boatos já circulam em português

Até agora, foram confirmadas 81 mortes e 2,8 mil infecções com o novo vírus na China

Alessandra Monnerat

27 de janeiro de 2020 | 16h45

Uma publicação no Facebook exagera o número de mortos e infectados pelo coronavírus. Até agora (27 de janeiro), o novo vírus matou 81 pessoas, e há cerca de 2,8 mil casos diagnosticados na China. O governo chinês ordenou a quarentena de cerca de 50 milhões de pessoas.

O boato cita números muito maiores: 112 mil mortos, 2,8 milhões de infectados e 30 milhões em quarentena. Não existem evidências que corroborem esse relato. O texto no Facebook cita apenas o programa de rádio de Hal Turner. O americano, que teria passado 15 anos no FBI, teria fontes na agência de investigações que teriam dito que o governo chinês estaria escondendo a verdade sobre o coronavírus.

Pedestres em Hong Kong usam máscaras de proteção como medida preventiva contra coronavírus. Foto: Anthony Wallace/AFP

O site americano de fact-checking Lead Stories checou a história divulgada por Hal Turner. Na verdade, ele nunca trabalhou no FBI — apenas serviu como consultor entre 2003 e 2007. Além disso, o site do programa de rádio de Turner já espalhou outros boatos falsos, também desmentidos pelo Lead Stories.

Hal Turner foi sentenciado a dois anos em uma prisão federal, por tentativa de assassinato e agressão contra três juízes que mantiveram a suspensão ao porte de armas em duas cidades do Estado de Illinois. O radialista é conhecido por suas posições de extrema-direita.

O coronavírus já foi identificado em 12 países na Ásia, na Europa, Estados Unidos e Austrália. Nesta segunda-feira, 27, a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu como “elevado” o risco internacional de contágio. Ainda não há casos confirmados de contaminação no Brasil. /com informações de WP BLOOMBERG, AFP e AP

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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