Queima de urnas eletrônicas na Venezuela alimenta teorias conspiratórias no Brasil

Queima de urnas eletrônicas na Venezuela alimenta teorias conspiratórias no Brasil

Sites usam declaração de Bolsonaro fora de contexto para sugerir conspiração

Alessandra Monnerat e Tiago Aguiar

11 de março de 2020 | 18h04

Textos dos sites Gazeta Conservadora e Jornal da Cidade Online sugerem uma relação entre o incêndio de urnas eletrônicas na Venezuela e a acusação — sem provas — feita pelo presidente Jair Bolsonaro de que houve fraude nas eleições presidenciais de 2018. O incêndio ocorreu no sábado, 7, antes da declaração do presidente, feita na segunda-feira, 9.

Não há nenhuma relação entre os dois fatos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou, por meio de nota, que nunca emprestou urnas para a Venezuela. Após a declaração de Bolsonaro, o TSE já havia se manifestado reafirmando a confiabilidade e segurança do sistema eletrônico de votação e a auditabilidade de eventuais denúncias e suspeitas. Não há caso de fraude comprovado desde o início do uso das urnas eletrônicas.

Quase todas as máquinas de votação da Venezuela foram queimadas em um incêndio no sábado, 7. O fogo atingiu um galpão de 6 mil metros quadrados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e destruiu 49,9 mil máquinas de votação e milhares de outros equipamentos utilizados nas eleições.

No domingo, 8, um grupo chamado Frente Patriota Venezolano divulgou um vídeo em que reivindica a autoria do incêndio. No dia seguinte, a presidente do CNE, Tibisay Lucena, disse que a investigação sobre o caso ainda não estava concluída.

A presidente do CNE, Tibisay Lucena, durante coletiva a respeito do incêndio que destruiu urnas eletrônicas na Venezuela. Foto: EFE/ Rayner Peña

“Nesse ato (incêndio), que esperamos saber se é um ato criminoso, apenas dois dos processos foram afetados: o processo de inventário e o processo de produção de máquinas (de votação)“, garantiu.

Lucena é chefe da CNE há muitos anos e é considerada alinhada com o governo chavista. Ela não respondeu a perguntas da imprensa sobre o caso.

A Agência Lupa também checou esse boato. /COM INFORMAÇÕES DAS AGÊNCIAS EFE E AFP.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho. 

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