Publicação viral inventa frase atribuída ao empresário George Soros

Publicação viral inventa frase atribuída ao empresário George Soros

Para atacar o filantropo, postagem fabrica declaração conspiratória sobre vacinas e 'despopulação mundial'

Guilherme Bianchini, especial para o Estadão

04 de novembro de 2020 | 18h41

É falsa uma frase sobre tecnologia, vacinas e “despopulação mundial” atribuída a George Soros nas redes sociais. Não há registros, na internet ou em entrevistas a veículos de imprensa, de o empresário ter feito tais declarações.

Uma postagem no Facebook, com cerca de 5 mil compartilhamentos, afirma que Soros teria dito a seguinte frase: “Usando a tecnologia geramos várias catástrofes; os que não morrerem nelas irão tomar as vacinas que serão dadas com a velha desculpa de imunização, com isso cumprimos a meta de despopulação mundial”.

Soros nunca disse frase atribuída a ele em postagem. Foto: Reprodução

O Estadão Verifica não localizou resultados associados a George Soros, em português nem em inglês, para os termos citados na publicação. Em entrevista ao Market Watch em maio, sobre a pandemia de covid-19, o filantropo afirmou que “demoraria muito tempo para uma vacina ser desenvolvida”.

Ao lado do empresário Bill Gates, Soros é alvo constante de desinformações ligadas ao coronavírus. Teorias conspiratórias associam a ambos um suposto plano de controle da população.

Outros boatos com ataques a Soros já foram checados pelo Verifica, como textos que atribuíam a ele o financiamento da campanha #elenão e um vídeo que apontava João Amoêdo (Novo) como funcionário de uma das organizações do filantropo. Também é falso que o bilionário seja avô da ativista Greta Thunberg.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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