Homem que reza em vídeo com Bolsonaro é pastor, e não presidente sul-coreano

Homem que reza em vídeo com Bolsonaro é pastor, e não presidente sul-coreano

Postagem tira de contexto vídeo do encontro do presidente brasileiro com religioso da Coreia do Sul

Gabriel Belic, especial para o Estadão

15 de junho de 2022 | 10h56

Um vídeo que viralizou no Facebook não mostra um encontro entre o governante da Coreia do Sul e o presidente Jair Bolsonaro (PL). Na verdade, o homem que aparece nas imagens é o pastor Ock Soo Park. A filmagem, com mais de 20 mil interações na rede social, mostra Bolsonaro sentado ao lado de três pessoas, que entregam presentes para Bolsonaro, a primeira-dama, Michelle, e a filha do casal, Laura. Na sequência, todos começam a rezar.

Em live, presidente Bolsonaro mostrou encontro com pastor sul-coreano. Foto: Reprodução

O atual presidente da Coreia do Sul é Yoon Suk-yeol, que assumiu o cargo no dia 10 de maio de 2022. No vídeo, o homem que está ao lado de Bolsonaro é o pastor sul-coreano Ock Soo Park, fundador da igreja evangélica Missão Boa Notícia, sem vínculo com o governo do país asiático. O vídeo repostado nas redes sociais é, na verdade, um trecho de uma live transmitida pelo perfil oficial de Jair Bolsonaro no Facebook, no dia 7 de junho. O encontro ocorreu em Brasília, no gabinete do presidente.

De acordo com a biografia descrita no site oficial de Ock Soo Park, o líder religioso não é uma autoridade do governo sul-coreano. A comitiva do pastor veio ao Brasil para a Conferência Mundial do Congresso de Líderes Cristãos (CLF), que ocorreu entre os dias 6 e 8 de junho. No dia 7 de junho, representantes da Frente Parlamentar Evangélica receberam a comitiva na Câmara dos Deputados.

Esse conteúdo também foi checado por Boatos.org e Aos Fatos.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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