Prejuízo da Natura é de período anterior a campanha de Dia dos Pais com Thammy Miranda
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Prejuízo da Natura é de período anterior a campanha de Dia dos Pais com Thammy Miranda

Texto em circulação nas redes sociais engana ao afirmar que marca de cosméticos teria sofrido com boicotes depois de ter convidado o ator para participar de propaganda

Samuel Lima, especial para o Estado

28 de agosto de 2020 | 18h39

Um texto em circulação nas redes sociais engana ao relacionar um prejuízo sofrido pela Natura & Co — grupo que controla as marcas Natura, Avon, The Body Shop e Aesop — a um boicote que teria ocorrido após a empresa escalar o ator transexual Thammy Miranda para sua campanha de Dia dos Pais. O artigo enganoso traz o título “Quem lacra não lucra” e sugere que resultado negativo ocorreu “em meio à pandemia e ao boicote”.

No entanto, o balanço apresentado pela Natura & Co e citado no texto é referente ao segundo trimestre de 2020 — ou seja, aos meses de abril, maio e junho. A notícia de que Thammy foi convidado para a campanha foi divulgada apenas em 27 de julho. O ator, que é pai do bebê Bento Ferreira de Miranda, de seis meses, participou da divulgação da marca nas redes sociais com outras personalidades, como o ex-BBB Babu Santana, o chef de cozinha Henrique Fogaça e o músico Lucas Silveira.

Texto compartilhado no Facebook engana ao sugerir que prejuízo da Natura & Co tem relação com campanha do Dia dos Pais. Foto: Reprodução / Arte Estadão

A inclusão de Thammy na campanha de Dia dos Pais provocou ameaças de boicote à marca nas redes sociais. O mercado financeiro, por outro lado, reagiu bem à decisão. As ações ordinárias da fabricante de cosméticos operaram em alta de 6,73% em 29 de julho. Naquele dia, o Ibovespa subiu 1,44%. No dia 30, o valor das ações da Natura cresceu mais 3,36%. 

Analistas consultados pelo Estadão na época apontaram que o desempenho positivo estava atrelado a uma tendência de o mercado investir em companhias que atuam de maneira mais forte junto à defesa de minorias. A estratégia da Natura foi encarada como uma forma de atender novos públicos e de fortalecer os pilares ESG (Ambiental, Social e Governança, na sigla em inglês) da marca. 

Em balanço apresentado em 14 de agosto, a Natura & Co informou que teve prejuízo de R$ 388,5 milhões com as quatro marcas no segundo trimestre de 2020. No mesmo período do ano passado, a companhia registrou lucro de R$ 54,3 milhões.

O resultado reflete queda de R$ 1 bilhão (-12,7%) na receita líquida total do grupo, na comparação entre os dois trimestres. O índice foi puxado para baixo pelo desempenho negativo de 35,2% da Avon. 

A Natura, por outro lado, apresentou crescimento de 4,4% na receita, impulsionado pela alta de 7,9% nas vendas no Brasil. The Body Shop (13,9%) e Aesop (34,6%) também tiveram saldo positivo entre abril e junho de 2020, contra o mesmo período de 2019.

Segundo a holding, as vendas do trimestre foram impactadas pelo fechamento de lojas e pela menor atividade de representantes durante a pandemia de covid-19 — recuperadas apenas em parte pelo avanço de 225% no comércio por meio de plataformas digitais. Além disso, a Avon sofreu um ataque cibernético no período, o que deve transferir cerca de R$ 450 milhões em receitas para o terceiro trimestre do ano.

A companhia brasileira pretende investir em torno de R$ 400 milhões em negócios digitais e tecnologia da informação, nos próximos seis meses, e inaugurar um “novo modelo comercial” para a Avon. A marca foi adquirida em janeiro deste ano, criando o quarto maior negócio do setor de cosméticos do mundo.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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