Postagens falseiam relação familiar de Sérgio Moro com PSDB

Postagens falseiam relação familiar de Sérgio Moro com PSDB

Boatos que tentam associar o ex-ministro aos tucanos circulam desde 2016, naquela ocasião impulsionados por petistas

Tiago Aguiar

29 de maio de 2020 | 13h51

É falso que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro seja neto de um dos fundadores do PSDB. Também não é verdade que o ex-juiz seja cunhado do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG). Essas alegações circulam em imagem que viralizou nas redes sociais. Leitores solicitaram a checagem deste conteúdo pelo WhatsApp do Estadão Verifica: (11) 99263-7900.

Aécio é casado desde 2013 com a ex-modelo Leticia Weber, que não é da família de Sérgio Moro. A mulher de Cesar Fernando Moro, único irmão do ex-juiz, também não tem relação com o deputado federal. As informações são públicas em redes sociais.

Reprodução Facebook

A assessoria de Moro também negou o parentesco com Aécio: “O ex-ministro Sergio Moro tem apenas um irmão que mora em Maringá e não tem nenhuma relação de parentesco com Aécio Neves ou com qualquer outro político”.

O Estadão Verifica consultou ainda a lista de fundadores do PSDB (abaixo), fornecida pelo próprio partido. A listagem não contém o nome de nenhum dos avôs de Moro. A assessoria do ex-juiz negou também a relação com a sigla: “Nenhum dos avôs de Moro se envolveu em política ou fundou o PSDB. Lavino Moro era pequeno agricultor e Guilherme Starke trabalhou em uma loja de ferragens. Jamais tiveram filiação política”.

Documento

Boatos que associam Sérgio Moro e sua família ao partido circulam desde ao menos 2016. Na ocasião, uma certidão de filiação de Sérgio Roberto Moro circulou entre militantes pró PT. O ex-ministro, no entanto, se chama Sérgio Fernando Moro. O novo boato ganhou tração no início deste mês com o compartilhamento da imagem por Olavo de Carvalho, um dos gurus do governo Bolsonaro.

Fato ou Fake e Boatos.org também checaram este boato.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

Tudo o que sabemos sobre:

psdbsérgio moroAécio neves

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.