Postagem exagera ao dizer que curativo custa R$ 2 mil nos EUA
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Postagem exagera ao dizer que curativo custa R$ 2 mil nos EUA

Tuíte divulga valor de um atendimento padrão em hospital de Connecticut de forma enganosa

Guilherme Bianchini, especial para o Estadão

30 de outubro de 2020 | 18h09

Uma postagem compartilhada no Facebook exagera ao afirmar que um curativo na rede privada de saúde dos Estados Unidos custa R$ 2 mil reais. O post se refere a um episódio que ocorreu 2016, em Connecticut, quando um hospital cobrou US$ 629 (cerca de R$ 2 mil, na conversão da época) para lavar um ferimento e colocar o curativo no dedo de uma criança de um ano. A unidade esclareceu, porém, que apenas US$ 7 eram referentes ao curativo.

No episódio do curativo, o hospital esclareceu que a parte majoritária (US$ 622) do valor cobrado representava uma taxa básica que incluía a recepção, o atendimento e a consulta. O diretor da unidade alegou que se trata do valor mínimo de atendimento.

A publicação, com mais de 1,5 mil compartilhamentos no Facebook, diz o seguinte: “‘Ah, mas se privatizar o SUS melhora o serviço’. Sabe onde o serviço é privatizado? Nos EUA. Sabe o que acontece? 370 dólares (R$ 2.109) DEZ ML de insulina. 1 em cada 4 diabéticos raciona insulina e morre. R$ 2 MIL um band-aid”.

Valor do band-aid citado, na verdade, foi de um atendimento em hospital dos EUA. Foto: Reprodução

De fato, existe um racionamento de insulina nos Estados Unidos e, de acordo com levantamento da T1International, 25% dos diabéticos racionam o medicamento. No entanto, o estudo não aponta relação entre essa taxa e o número de mortes. O estudo cita que a prática do racionamento é arriscada para pacientes da diabetes tipo 1, mas sem fazer qualquer citação a porcentagem de mortes.

Documento

O valor de dez mililitros de insulina citado na publicação está dentro da faixa de alguns dos medicamentos listados pela GoodRx. Os preços variam entre US$ 107 e US$ 1,1 mil, com média de aproximadamente US$ 402.

As comparações entre os sistemas de saúde do Brasil e dos Estados Unidos viraram assunto frequente nas redes sociais após um decreto polêmico de Jair Bolsonaro (sem partido). O presidente autorizou estudos que abriam caminho para a privatização das Unidades Básicas de Saúde (UBS). Depois de forte reação negativa, já que a medida foi vista como o início da privatização do Sistema Único de Saúde (SUS), o governo revogou o decreto.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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