Postagem engana ao comparar mapas de risco da covid-19 no Rio Grande do Sul

Postagem engana ao comparar mapas de risco da covid-19 no Rio Grande do Sul

Imagem divulgada nas redes que mostra 90% das regiões do Estado em risco alto é de julho e tinha caráter preliminar

Guilherme Bianchini, especial para o Estado

30 de setembro de 2020 | 18h56

Uma postagem com mais de 20 mil compartilhamentos no Facebook dá a entender que o governo do Rio Grande do Sul reduziu a classificação de risco de covid-19 nas regiões do Estado devido às eleições municipais. O post apresenta dois mapas: um em que a maior parte do território está em vermelho (risco alto de contágio por coronavírus) e outro em que todo o Estado está pintado de laranja (risco médio).

A publicação analisada não deixa claro que o primeiro mapa é de uma classificação preliminar de 17 de julho — a versão definitiva reduziu em cerca de 40% a área em vermelho, depois de alterações solicitadas pelos municípios.

Mapa de risco epidemiológico no RS é de julho e tinha caráter preliminar. Foto: Reprodução

Após longo período com regiões em vermelho, agora todo o território gaúcho está em laranja. A vigência dessa classificação é entre 29 de setembro e 5 de outubro. Ao contrário do que a postagem dá a entender,  o Estado já havia ficado sem nenhuma região em vermelho, entre as semanas de 18 a 24 de maio e de 8 a 14 de junho.

O monitoramento do risco epidemiológico das 21 regiões do Estado, feito desde maio, está em sua 21ª semana. O sistema de bandeiras, dividido nas cores amarela (risco baixo), laranja (médio), vermelha (alto) e preta (altíssimo), estabelece protocolos para os setores econômicos, com base na velocidade de propagação da covid-19 e na capacidade de atendimento do sistema de saúde das regiões.

A cada semana, o governo apresenta um mapa preliminar, a partir de um modelo próprio. A versão definitiva, no entanto, só é divulgada após o gabinete de crise do Estado julgar os pedidos de reconsideração de municípios e de associações regionais.

No material divulgado pelo governo do Rio Grande do Sul, é possível checar a situação das regiões em todas as semanas de acompanhamento do mapa do distanciamento controlado.

Documento

Mapas do distanciamento controlado no Rio Grande do Sul entre as semanas 1 e 7. Foto: Divulgação/Secretaria Estadual da Saúde

Mapas do distanciamento controlado no Rio Grande do Sul entre as semanas 8 e 16. Foto: Divulgação/Secretaria Estadual da Saúde

Mapas do distanciamento controlado no Rio Grande do Sul entre as semanas 17 e 21. Foto: Divulgação/Secretaria Estadual da Saúde

A situação mais crítica do risco epidemiológico aconteceu de 18 a 24 de agosto, com 14 regiões em bandeira vermelha. Na época, o Rio Grande do Sul registrou 1.126 novas hospitalizações de pacientes infectados no período de uma semana, além de 353 mortes em decorrência da covid-19, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde. Na contagem mais recente, o número de novas internações caiu para 793. Também houve baixa nos óbitos, para 273.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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