Postagem distorce contexto de apreensão de medicamentos em cidade da Paraíba
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Postagem distorce contexto de apreensão de medicamentos em cidade da Paraíba

Operação do Ministério Público em Conde foi feita para evitar distribuição de remédios vencidos, sem relação com contabilização de mortos da covid-19

Tiago Aguiar

25 de junho de 2020 | 21h36

Uma postagem de um vídeo, com mais de 20 mil compartilhamentos no Facebook, distorce uma investigação do Ministério Público (MP) da Paraíba no município de Conde. A gravação é legítima, feita a partir de imagens de grande quantidade de medicamentos armazenados em uma sala locada pela Prefeitura de Conde. No entanto, a legenda que acompanha o vídeo é falsa — não é verdade que os remédios mostrados nas imagens tenham sido escondidos para que o município recebesse mais recursos do governo federal.

A alegação do MP da Paraíba é que os remédios estavam vencidos e, por isso, foram apreendidos. Segundo o órgão, o inquérito civil público foi aberto no último dia 8, a partir de denúncias por WhatsApp sobre a disponibilização de remédios fora do prazo de validade. De acordo com um relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que prestou apoio à operação, os medicamentos também foram armazenados de forma inadequada, sem garantir a ventilação necessária, o que pode comprometer a qualidade dos produtos.

Prefeitura não tem incentivo financeiro para aumentar número de mortes

Os repasses de recursos do governo federal para municípios e Estados para o enfrentamento à pandemia não são definidos de acordo com o registro de mortos, informação falsa também contida no texto da postagem. Em checagem publicada no último dia 25, o Comprova mostrou que os valores destinados pelo Ministério da Saúde a ações de combate à pandemia do novo coronavírus não se baseia no número de casos ou óbitos.

Azitromicina é utilizada em tratamento de infecções

A legenda também erra ao sugerir que a azitromicina é usada somente para tratamento de covid-19. O antibiótico é usado para combater diversas infecções bacterianas, como otite e diarreia do viajante. Um documento do Ministério da Saúde orienta a prescrição da substância combinada com a hidroxicloroquina para o tratamento de pacientes infectados com o novo coronavírus — apesar disso, não há eficácia comprovada da combinação desses medicamentos no tratamento da covid-19.

Entre os medicamentos encontrados na sala em Conde, na Paraíba, estavam 9,7 mil frascos de dipirona 500 mg/5 ml em gotas, 5,9 mil frascos de ibuprofeno 50 mg/30 ml, 800 ampolas de glicose 50% injetável, além dos 1.314 comprimidos de azitromicina di-hidratada de 500 mg visíveis no vídeo.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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