Postagem cita compra de caixões iniciada antes da pandemia de covid-19
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Postagem cita compra de caixões iniciada antes da pandemia de covid-19

Processo de licitação da Prefeitura de São Paulo começou em 2019 e segue padrão anual do serviço funerário municipal

Pedro Prata

13 de outubro de 2020 | 18h30

Uma postagem engana ao afirmar que o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), teria comprado 38 mil caixões exclusivamente para enfrentar a pandemia de covid-19. A aquisição das urnas funerárias já havia sido realizada antes mesmo da pandemia chegar ao Brasil. Além disso, número não foge do padrão anual de compras do serviço funerário municipal. Este conteúdo foi compartilhado mais de 8,3 mil vezes no Facebook.

“Covas comprou 38 mil caixões em abril. 20 mil estão empilhados no depósito”, diz a postagem. O post recebeu comentários que questionam a real dimensão da pandemia, como “não canso de dizer que todas essas mortes são uma mentira dos políticos”.

Compra dos caixões foi feita antes mesmo da pandemia. Foto: Reprodução

O site do serviço funerário da Prefeitura de São Paulo traz informações de todas as contratações feitas pelo órgão. Em abril, de fato houve a assinatura do contrato de compra de 37.109 urnas funerárias no valor total de R$ 11.213.087,01. Os caixões estavam previstos para serem entregues de forma gradual entre abril e outubro de 2020.

Como pode ser observado nos contratos, dois deles receberam aditamento para aumento de 25% dos valores em função da pandemia do novo coronavírus:

Documento

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O processo de licitação está disponível no portal e-negócioscidadesp. A consulta ao site permite ver que o processo foi declarado aberto no Diário Oficial do Município em 13 de dezembro de 2019, ocorreu em 6 de janeiro deste ano, as empresas vencedoras foram convocadas em 22 de janeiro e a nota de empenho foi emitida em 21 de março. Isto é, a maior parte do processo foi feita antes mesmo do primeiro caso confirmado de coronavírus no Brasil, ocorrido em 26 de fevereiro.

O número alto de urnas funerárias adquiridas pela Prefeitura não é novidade. A assessoria de comunicação da Secretaria de Subprefeituras paulistana informou ao Estadão Verifica e ao Projeto Comprova que, em 2019, o Serviço Funerário comprou 72.579 urnas.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o número de óbitos registrados em São Paulo variou entre 84 mil e 86 mil entre 2015 e 2018.

Entrega dos caixões foi antecipada

A Prefeitura divulgou, em 23 de abril, um Plano de Contingenciamento Funerário com uma série de medidas para garantir o funcionamento adequado do Serviço Funerário Municipal durante a pandemia de covid-19. Entre as medidas, foram anunciadas a ampliação no horário de sepultamentos diários e a abertura de 13 mil covas em três cemitérios. Foi neste contexto que a Prefeitura antecipou a entrega dos 37.109 caixões.

A Secretaria de Saúde do Estado informa que até esta segunda-feira, 13, a cidade de São Paulo havia registrado 13.134 óbitos por covid-19. Subtraindo-se este número de 37 mil, chega-se aos 24 mil caixões citados pelos boatos e que supostamente estariam sem utilidade.

São Paulo foi a unidade da federação mais afetada pelo coronavírus em números absolutos. O Estado registrou 1,039 milhão de casos e responde sozinho a um quinto do número de infectados no País. Foram 37.314 óbitos até esta terça-feira, 13.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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