Postagem tira de contexto vídeo de alimentos enterrados em escola municipal do RN
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Postagem tira de contexto vídeo de alimentos enterrados em escola municipal do RN

Unidade de ensino citada em gravação viral pertence ao município, e não ao governo estadual

Alessandra Monnerat

20 de agosto de 2020 | 16h08

Uma postagem com mais de 17 mil compartilhamentos no Facebook tira de contexto um vídeo feito em uma escola em Natal, no Rio Grande do Norte. Na gravação, o porteiro noturno do Centro Municipal de Educação Infantil Professora Carmem Maria Reis desenterra dezenas de sacos de comida escondidos na unidade de ensino. Enquanto tira embalagens de farinha, arroz e macarrão da terra, ele diz que trabalha no local há 8 anos e nunca tinha visto um “absurdo desses” — e questiona por que a direção não distribuiu os alimentos para as famílias dos estudantes.

A legenda da postagem analisada afirma que a escola é estadual e acusa a governadora Fátima Bezerra (PT). “Olha aí o que faz o governo petista do Rio Grande do Norte, objetivo é manter o povo na miséria e no sofrimento para dominar no cabresto”, diz o post, que teve 312 mil visualizações.

Na realidade, a unidade é da rede municipal de ensino. Em 14 de agosto, a Prefeitura de Natal divulgou uma nota em que afirma estar apurando o caso. Os alimentos enterrados eram destinados à merenda escolar, mas as aulas estão suspensas devido à pandemia do novo coronavírus

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, a orientação repassada aos gestores das unidades de ensino era que o estoque de comida fosse distribuído à comunidade. A nota destacou que a lei 13.987, sancionada em abril pelo presidente Jair Bolsonaro, autoriza a destinação dos alimentos da merenda para pais ou responsáveis dos alunos.

Ao G1, a direção da escola afirmou que a comida foi enterrada porque perdeu o prazo de validade. Mas o porteiro que fez a denúncia tirou fotos das embalagens, que mostram que a comida não estava vencida.

O governo do Estado informou, em nota, que “não houve em nenhuma escola da rede estadual de ensino merenda que tenha sido encontrada enterrada” e reforçou que a unidade de ensino citada na postagem pertence ao município.

O prefeito de Natal é Álvaro Costa Dias (PSDB) desde 2018.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

 

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