João Doria não falou de ‘duplicidade’ nas mortes de covid-19
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João Doria não falou de ‘duplicidade’ nas mortes de covid-19

Fala falsamente atribuída ao governador coloca dúvida sobre dados oficiais

Pedro Prata

11 de junho de 2020 | 17h12

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), nunca disse ter encontrado duplicidade no registro de óbitos por covid-19 no Estado. A falsa afirmação aparece em publicação que viralizou no Facebook e foi compartilhada mais de 26 mil vezes. Outras versões do boato foram identificadas no Twitter.

“O Governador João Doria jamais disse a frase falsa e lamentavelmente atribuída a ele”, disse por e-mail o governo paulista.

Estado de São Paulo passou a marca de 150 mil casos nesta terça, 9. Foto: Governo de São Paulo/Divulgação

O Estadão Verifica procurou nas redes sociais oficiais do governo, mas não encontrou nenhuma fala do governador com o referido conteúdo. Também procuramos a afirmação em veículos de comunicação, mas tampouco encontramos a suposta fala. 

O texto possui erros de português que se repetiram em replicações no Twitter. A postagem não indica a fonte da informação, assim como deixa seu sentido muito vago. Estas são características comuns a boatos compartilhados nas redes sociais.

Até esta terça, 9, o Estado de São Paulo acumulava 162.520 casos e 10.145 mortes. É o Estado com o maior número de casos e óbitos confirmados no País.

Doria já foi alvo de outros boatos

O governador de São Paulo foi alvo de boatos ao defender medidas de fechamento do comércio e isolamento social apontadas por autoridades médicas como essenciais para conter o avanço da pandemia. O Estadão Verifica checou um boato que falsamente dizia que ele teria assinado decreto permitindo que qualquer óbito fosse registrado como causado por covid-19 e, assim, inflar os números oficiais.

O documento, na verdade, definia que todo corpo deveria ser considerado um transmissor em potencial do novo coronavírus. A intenção seria adotar as providências necessárias para que as atividades de manejo de corpos e necropsias, no contexto da pandemia do covid-19 (novo coronavírus), não constituíssem ameaça à incolumidade física de médicos, enfermeiros e demais servidores das equipes de saúde. As mortes de covid-19 continuaram a ser registradas apenas após confirmação do exame laboratorial.

A contestação no número oficial de mortes é comumente utilizada para atacar autoridades. O Estadão Verifica, em parceria com o Projeto Comprova, checou um vídeo que apresentava covas vazias e nenhum enterro no cemitério da Vila Formosa, na capital paulista. A cena era real, mas foi gravada em um dia que o cemitério não estava com expediente. O cemitério da Vila Formosa é dividido em duas áreas que se revezam para receber os enterros.

Este conteúdo também foi checado por Boatos.org.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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