São Paulo continua a ter hospitais de campanha ‘de pé’, ao contrário do que sugere post viral

São Paulo continua a ter hospitais de campanha ‘de pé’, ao contrário do que sugere post viral

Segundo levantamento do Tribunal de Contas do Estado, ao menos 34 municípios paulistas tinham unidades do tipo instaladas ou em construção em setembro de 2021

Gabi Coelho e Laila Nery, especial para o Estadão

27 de outubro de 2021 | 17h18

Uma postagem enganosa no Facebook afirma que em São Paulo foram construídos 63 hospitais de campanha para o enfrentamento da covid-19, mas que, durante o momento mais grave da pandemia, “nenhum mais estava de pé”. Isso não é verdade, já que em setembro de 2021 ao menos 34 municípios paulistas ainda tinham unidades do tipo instaladas ou em construção, segundo levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCESP).

Além dos hospitais municipais, o governo estadual construiu 16 instalações de campanha desde o início da pandemia. A Secretaria Estadual de Saúde informou que quatro unidades continuam em funcionamento — Caraguatatuba, Bebedouro, Suzano, Bauru e Metropolitano Santa Cecília. Entre os meses de março e maio, quando São Paulo registrou o maior número de casos e mortes diárias por covid-19, quinze hospitais de campanha estaduais estavam ativos. A maioria das unidades foi fechada em agosto e setembro deste ano — nesse período, a curva de contágio começou a diminuir.

Com mais de 80 mil compartilhamentos no Facebook, o post viral utiliza a foto do hospital de campanha construído no estádio do Pacaembu, na Capital. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, o espaço foi inaugurado e começou a receber pacientes em abril de 2020, durante a primeira onda da pandemia. Com a queda nos casos de covid-19 em junho de 2020, as atividades foram encerradas.

Investimento em hospitais

A publicação afirma que São Paulo investiu “R$ 227 milhões” em “63 hospitais de campanha”. Esses dados são de um levantamento do TCESP junto às Prefeituras paulistas, divulgado em junho de 2020. Até o dia 31 de maio de 2020, 59 municípios afirmaram ter gastado mais de R$ 227 milhões na construção desses hospitais.

Em novo levantamento, de setembro de 2021, o valor informado pelas Prefeituras subiu para R$ 266,7 milhões. O municípios responderam ao TCESP que, até aquele mês, 169 hospitais de campanha estavam em funcionamento e 81 haviam sido desativados.

Veja o relatório do TCESP completo abaixo.

Documento

Número de casos de covid em SP teve ‘pico’ a partir de março de 2021

Entre março e maio deste ano, São Paulo vivenciou seus piores dias no enfrentamento à covid-19 e especialistas chegaram a afirmar que o sistema de saúde havia entrado em colapso. No início de 2021, se esperava uma redução no número de internações, por conta disso, alguns hospitais de campanha haviam sido fechados, inclusive a unidade do Pacaembu. Com a crise na rede de saúde, alguns hospitais de campanha foram reabertos e sete novas unidades foram inauguradas dedicadas à covid-19. 

Atualmente, o Estado de São Paulo contabiliza 151.682 óbitos e 4.402.566 pessoas contaminadas pelo vírus, segundo o boletim divulgado pela Secretaria nesta quarta-feira, 27.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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