Funcionário dos correios preso nos EUA estava com três cédulas eleitorais, não 800

Funcionário dos correios preso nos EUA estava com três cédulas eleitorais, não 800

Postagem viral exagera número de votos encontrados com homem acusado de desviar encomendas, para sugerir fraude nas eleições presidenciais

Pedro Prata

10 de novembro de 2020 | 16h17

É falso que um funcionário do serviço de correios americano tenha sido preso com mais de 800 cédulas eleitorais não entregues. Na verdade, um homem foi preso com 813 encomendas na fronteira com o Canadá, das quais apenas três eram cédulas. Este conteúdo foi compartilhado inicialmente nos Estados Unidos, mas viralizou no Brasil e um leitor solicitou ao Estadão Verifica pelo WhatsApp (11 97683-7490) a checagem.

Homem foi preso após ser pego com 813 correspondências, mas apenas 3 eram cédulas eleitorais. Foto: Reprodução

De acordo com nota do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, um homem de 27 anos foi preso em 3 de novembro, dia das eleições americanas, na fronteira com o Canadá no estado de Nova York.

O rapaz dirigia um caminhão quando foi parado pela polícia de fronteira. No caminhão encontraram 813 encomendas, das quais apenas três eram cédulas de votação. Os votos pertenciam a moradores do condado de Erie County, no estado de Nova York. Naquele estado, Biden ganhou a eleição com ao menos 12,8% de vantagem sobre o presidente Donald Trump.

Primeiro, o funcionário afirmou aos policiais que a correspondência pertenceria a ele e a sua mãe, mas não soube explicar por que algumas das correspondências estavam endereçadas a outras pessoas. Depois ele afirmou que tinha a intenção de devolver as entregas, mas que acabou esquecendo.

Ele foi acusado por “atrasar ou destruir correspondência”. Em posicionamento, o promotor James P. Kennedy Jr. disse que “estamos comprometidos não apenas em garantir a integridade das entregas mas também com os direitos individuais ao voto em eleições livres e justas”. Se condenado, o rapaz será preso e poderá pagar multa de até US$ 250 mil (R$ 1,3 milhão).

No Brasil, o boato ganhou impulso ao ser compartilhado pelo deputado federal Capitão Augusto (PL-SP). O Estadão Verifica entrou em contato com o gabinete do parlamentar, mas não obteve resposta até a publicação desta checagem. Este post também foi encontrado no Facebook e no Twitter.

A AFP Canada também checou este conteúdo.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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