Foto de PM que recolhe bandeira do chão é de 2017, e não de protesto de torcidas organizadas
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Foto de PM que recolhe bandeira do chão é de 2017, e não de protesto de torcidas organizadas

Imagem circula fora de contexto nas redes sociais

Alessandra Monnerat

02 de junho de 2020 | 15h02

A foto que mostra um policial militar recolhendo uma bandeira brasileira do chão foi feita em 2017, e não no protesto organizado por torcidas de times de futebol na Avenida Paulista no último domingo, 31. Essa imagem tem sido compartilhada fora de contexto no Facebook — a legenda de um post afirma que o agente teria impedido que a bandeira fosse queimada.

Foto: Reprodução/Facebook

Na verdade, a fotografia foi tirada durante um ato no dia 7 de setembro de 2017. O site Jornalistas Livres publicou uma imagem bastante similar, do fotógrafo Lucas Martins. O texto que acompanha a foto informa que o grupo protestava contra a perda do passe livre estudantil, a Reforma Trabalhista e a violência policial. A manifestação também teria o objetivo de se colocar contra a “exaltação do nacionalismo” no Dia da Independência.

O site Ponte, que também acompanhou o protesto, disse que o ato foi organizado por grupos denominados “antifascistas, anarquistas e comunistas”. Um vídeo publicado pela reportagem mostra que o policial apreendeu a bandeira para impedir que ela fosse pisada por um dos manifestantes. A manifestação ocorreu nos arredores da Praça Roosevelt.

A legislação brasileira considera a violação de símbolos nacionais uma contravenção que pode ser punida com multa.

No domingo, 31, grupos ligados a torcidas organizadas de times de futebol se reuniram em um protesto denominado pró-democracia e antifascismo. Ao Estadão, os organizadores declararam que a mobilização tem como tema a defesa da democracia, a luta contra o fascismo e críticas ao governo federal. O grupo planeja novos protestos contra o presidente Jair Bolsonaro.

Na noite desta segunda-feira, 1, um protesto intitulado antifascista ocorreu em Curitiba. Manifestantes atearam fogo em uma bandeira do Brasil e foram dispersados pela Polícia Militar, que usou bombas de gás lacrimogêneo.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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