Foto de pacientes aglomerados em macas de hospital foi tirada em 2010, após princípio de incêndio
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Foto de pacientes aglomerados em macas de hospital foi tirada em 2010, após princípio de incêndio

Postagem que viralizou no Facebook usa imagem para afirmar que superlotação sempre ocorreu em hospitais brasileiros

Gabi Coelho, especial para o Estadão

22 de março de 2021 | 16h25

A foto de um hospital lotado de pacientes deitados em macas circula fora de contexto nas redes sociais. Um post que viralizou no Facebook alega que a imagem é de 2016 e que a imprensa não teria noticiado a situação do sistema de saúde na época. Na verdade, o registro é de 2010, feito após um princípio de incêndio no Instituto Dr. José Frota (IJF), emergência hospitalar em Fortaleza (CE)

A imagem é do fotógrafo Edmar Soares. A foto foi divulgada um dia após o incêndio, em um blog de Paulo Vasconcelos (PRB), então vereador do município de Sobral (CE). Na publicação, ele fala sobre as críticas da oposição à prefeita de Fortaleza na época, Luizianne Lins (PT), e à gestão do hospital. 

O IJF explicou na ocasião que um curto-circuito em dois capacitores de energia fez com que cerca de 60 pacientes fossem retirados de áreas internas do hospital, por questões de segurança. Eles foram colocados na área externa da emergência. 

Não houve feridos e o fogo foi controlado rapidamente. Somente em 2011, ocorreram três incêndios no IJF, também sem registro de vítimas. Ao longo do mandato de Luizianne Lins (2005 a 2012), houve registro de superlotação no hospital, mesmo após reforma para ampliar o atendimento.

No Facebook, o post com quase 3 mil compartilhamentos faz críticas à falta de visibilidade do caso nos veículos de comunicação. No entanto, em uma busca no Google é possível identificar reportagens sobre o princípio de incêndio nos jornais O Globo, Diário do Nordeste e O Estado do Ceará. A preocupação de familiares de pacientes e médicos sobre a aglomeração de pessoas e a quantidade de macas em um espaço pequeno teve destaque. 

Essa postagem também foi verificada pelos sites E-Farsas e Agência Lupa.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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