Foto de mulher vietnamita circula nas redes como se fosse Madre Teresa de Calcutá
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Foto de mulher vietnamita circula nas redes como se fosse Madre Teresa de Calcutá

Pessoa fotografada na verdade é Tran Anh Phuong, morta nos Estados Unidos em 2008

Pedro Prata

25 de setembro de 2020 | 18h17

Circula nas redes sociais a foto em preto e branco de uma jovem cuja legenda afirma se tratar da missionária Madre Teresa de Calcutá quando jovem. “Essa foto foi tirada em 1928, essa jovem tinha 18 anos. Essa jovem hoje é Santa Teresa de Calcutá”, afirma a legenda. Na realidade, a mulher fotografada é uma vietnamita que vivia nos Estados Unidos. A postagem checada pelo Estadão Verifica foi compartilhada ao menos 2,7 mil vezes no Facebook.

Para identificar a origem da fotografia usada, o Estadão Verifica utilizou o mecanismo de busca reversa de imagens do Google. Eles permite identificar outras vezes em que a foto foi publicada anteriormente.

Assim, a pesquisa retornou o site da ONG Children of Vietnam, que presta auxílio a crianças vietnamitas. Em uma das páginas, a organização presta solidariedade à família de Tran Anh Phuong, morta em 20 de abril de 2008 “após uma longa doença”. Ela é a mulher que aparece na foto.

Foto é de Tran Anh Phuong, não Madre Teresa de Calcutá. Foto: Reprodução

Segundo a biografia de Tran, escrita pelo filho Sam, ela trabalhou junto a imigrantes do Vietnã nos Estados Unidos, prestando auxílio como intérprete e pedindo doações de empresários.

A página ainda contém uma citação atribuída a Madre Teresa de Calcutá, o que pode ter causado a confusão: “O presente de Deus para você é a sua vida. O que você faz da sua vida é o seu presente para Deus.”

Madre Teresa de Calcutá nasceu em uma família albanesa na atual Macedônia do Norte. Fundou as Missionárias da Caridade em 1950, com 12 seguidores em Calcutá, Índia. Atualmente, a ordem percorre hospitais, asilos, abrigos e outros locais em mais de 139 países. Ela morreu em 5 de setembro de 1997 e foi canonizada pelo Papa Francisco em 2016.

Este conteúdo também foi checado pela agência de checagens norte-americana Snopes.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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