Foto de mulher agredida na Suécia é retirada de contexto
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Foto de mulher agredida na Suécia é retirada de contexto

Postagem sugere relação entre imigração de árabes e violência

Tiago Aguiar

18 de fevereiro de 2020 | 18h13

Uma publicação que usa a foto de uma mulher sueca com o rosto ensanguentado está sendo usada fora de contexto em um boato que sugere aumento de violência em regiões onde há imigração de árabes. Na legenda que acompanha a foto, o texto atribui ao governo sueco a imigração de milhões de árabes.

A foto é de uma moça de 19 anos que foi agredida na cidade de Malmö, na Suécia. Após ser assediada em uma boate, a vítima foi atingida na cabeça com uma garrafa. O episódio aconteceu em janeiro de 2018. Nas reportagens sobre o episódio, o agressor não foi identificado e não há nenhuma menção ao seu grupo étnico.

Os números sobre imigração também são exagerados. Segundo o banco de dados do Statistikmyndigheten SCB, órgão sueco de estatísticas oficiais, foram registrados 551.217 imigrantes de fora da União Europeia entre 2015 e junho de 2019. Não há discriminação de quantos são árabes.

O primeiro ministro no país é Stefan Löfven, do partido Social-Democrata, que sucedeu Fredrik Reinfeldt, de centro-direita, em outubro de 2014.

A mesma foto já foi usada em boatos sobre falsas agressões a pessoas brancas em exibições do filme Pantera Negra.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

 

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