Embalagem de vacina em teste traz data de fabricação por exigência da Anvisa
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Embalagem de vacina em teste traz data de fabricação por exigência da Anvisa

Imunizante produzido pela Sinovac começou a ser testado em humanos em abril, assim como outros quatro candidatos contra a covid-19

Tiago Aguiar

28 de outubro de 2020 | 19h31

A foto de uma caixa da vacina contra a covid-19 CoronaVac tem sido compartilhada no Facebook com uma legenda enganosa. Na imagem, é destacada a data de produção do imunizante, de abril. As postagens sugerem que a vacina já estava pronta para a distribuição no Brasil há seis meses, o que não é verdade. A embalagem com descrição em português, com indicação de data de fabricação e de validade, atende a um formato exigido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para produtos em desenvolvimento.

A Sinovac, farmacêutica responsável pelo desenvolvimento da Coronavac, obteve autorização para realizar testes em humanos na China em abril — o que condiz com a data de fabricação mostrada na embalagem brasileira. Vacinas precisam passar por três fases de testagem em voluntários antes de serem distribuídas à população.

Procurado para esclarecer o porquê da embalagem com data de fabricação, o Instituto Butantã respondeu ao Estadão Verifica que “mesmo sendo um produto em desenvolvimento, essas informações são exigidas pela Anvisa a partir de regulamentações e como parte da rastreabilidade do material. Portanto, a data de fabricação não só existe como é obrigatório constar na embalagem dentro do estudo clínico.”

Em abril deste ano diversas vacinas já estavam sendo produzidas para testagem. O imunizante com desenvolvimento liderado pela Sinovac Biotech foi o terceiro a ter testes clínicos autorizados na China. No dia 27 de abril, já eram ao todo cinco imunizantes contra o novo coronavírus sendo testados em humanos, com ensaios clínicos na China, na Coreia do Sul e nos Estados Unidos.

Em desenvolvimento pelo laboratório chinês Sinovac e pelo Instituto Butantã, a CoronaVac está desde julho deste ano na fase III dos estudos clínicos. Nesta etapa, o objetivo é testar a segurança e eficácia em condições naturais de presença da doença, normalmente com milhares de voluntários. Segundo a entidade brasileira, a foto que circula na postagem foi registrada em julho deste ano, durante a chegada das doses para o início dos estudos clínicos de fase III.

Se a vacina obtiver sucesso nos testes da fase III, ela é submetida à autoridade regulatória — no Brasil, a Anvisa. Somente após essa aprovação que a produção em larga escala ocorre e, ainda assim, com controle de qualidade e acompanhamento para detectar possíveis efeitos adversos.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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