É falso que Major Olímpio tenha votado a favor de aumento salarial para senadores
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É falso que Major Olímpio tenha votado a favor de aumento salarial para senadores

Postagens no Facebook distorcem teor de votação que liberaria exceções no congelamento de salários do funcionalismo público

Tiago Aguiar

24 de agosto de 2020 | 17h04

É falso que o senador Major Olímpio (PSL-SP) tenha votado a favor de um aumento salarial para os senadores. Na realidade, em votação no dia 19 de agosto, ele foi favorável a uma medida que permitiria o reajuste para algumas categorias do funcionalismo público, ligadas às áreas de Saúde, Educação e Segurança Pública. Nessa ocasião, o Senado derrubou um veto proposto pelo presidente Jair Bolsonaro, que congelaria os salários de agentes públicos até 2021. No entanto, a possibilidade de aumento não entrou em vigor pois, um dia depois, a Câmara dos Deputados manteve a proibição de reajuste proposta pelo governo.

Uma das postagens no Facebook com críticas a Olímpio usa uma foto antiga, tirada de contexto. Com expressão sorridente, o senador participava de audiência pública sobre a reforma da previdência dos militares em abril de 2019. O retrato é do fotógrafo Pedro França, da Agência Senado.

Postagens no Twitter e no Facebook criticando o senador com base no boato alcançaram mais de 2 mil interações. As críticas a Olímpio nas redes sociais cresceram desde o último dia 19, data da votação do Senado que havia derrubado o veto de Bolsonaro.

Em maio, o Congresso aprovou um socorro financeiro de R$ 60 bilhões a Estados e municípios em razão da pandemia do novo coronavírus. A ajuda tinha como contrapartida o congelamento dos salários do funcionalismo público até 2021. O Senado, no entanto, votou a favor de abrir exceções para determinados servidores das áreas da Educação, Saúde e Segurança Pública. Na prática, a medida liberaria aumentos para agentes da segurança pública, Forças Armadas, peritos, agentes socioeducativos, profissionais de limpeza urbana, de serviços funerários e de assistência social. Além disso, seriam permitidas bonificações para as categorias que estivessem diretamente envolvidas no combate à covid-19.

Os próprios senadores não foram incluídos entre as exceções para o congelamento de salários. O último reajuste para os parlamentares foi aprovado em dezembro de 2014, para o valor de R$ 33.763,00. Em maio, no entanto, havia possibilidade de aumento para certos servidores do Senado, como os policiais legislativos.

Para um veto ser rejeitado, a decisão precisa ser tomada pelas duas Casas do Congresso. Como a Câmara dos Deputados manteve, em votação no dia 20, o veto de Bolsonaro, o reajuste de servidores públicos está proibido até o fim de 2021.

Apesar de não haver nenhum aumento imediatamente aprovado, nas redes sociais os senadores foram acusados de causar um rombo nas contas públicas. Olímpio foi um dos mais citados nas postagens, com adjetivos como “traidor” — em 2018, ele foi eleito com discurso de apoio a Bolsonaro. Em sua página no Facebook, em 48 horas, o senador postou cinco vídeos para responder às críticas pela votação.

Líder do PSL no Senado, Olimpio anunciou no mês passado que está deixando o partido pelo qual foi eleito. A razão é a reaproximação do PSL com o governo. Apesar de criticar publicamente Bolsonaro há meses, na última semana ele subiu o tom contra a gestão federal.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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