É falso que Cristina Kirchner apareça sendo vacinada sem agulha nem seringa; imagem antiga e manipulada alimenta campanha negacionista
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É falso que Cristina Kirchner apareça sendo vacinada sem agulha nem seringa; imagem antiga e manipulada alimenta campanha negacionista

Imagem de 2013 foi resgatada e modificada digitalmente para atacar imunização contra a covid-19

Pedro Prata

30 de dezembro de 2020 | 18h16

Viralizou fora de contexto uma foto da vice-presidente argentina Cristina Kirchner supostamente sendo vacinada contra a covid-19 “sem agulha, sem luvas, sem seringa e sem máscara”. A imagem original foi clicada em 2013, durante a campanha de imunização contra a gripe. Este conteúdo já foi compartilhado ao menos 4,3 mil vezes no Facebook.

Imagem é de 2013 e foi clicada em campanha de imunização contra a gripe. Foto: Reprodução

O Estadão Verifica utilizou o mecanismo de busca reversa do Google para identificar outras vezes em que a foto foi postada. Ela foi compartilhada no perfil oficial do Twitter de Kirchner em 21 de março de 2013, época em que ela era presidente do país.

“Hoje, recebendo a vacina antigripal, gratuita, da Campanha Nacional de Vacinação que começamos na terça-feira passada”, escreveu a mandatária.

Ao comparar a imagem do boato com a original, é possível ver que a foto foi manipulada digitalmente. Isto porque ela mostra, sim, uma seringa de cor azul-claro sendo aplicada em Kirchner.

A Argentina se tornou nesta terça-feira, 29, o quarto país da América Latina a começar um programa de vacinação em massa contra a covid-19. Na semana passada, o país recebeu 300 mil doses da Sputnik V, vacina desenvolvida por cientistas russos. Os primeiros imunizados serão os profissionais de saúde.

Este conteúdo também foi checado pela AFP Factual.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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