É falso que chá de boldo cure sintomas causados pelo novo coronavírus
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É falso que chá de boldo cure sintomas causados pelo novo coronavírus

Receita caseira costuma ser usada para aliviar dores gastrointestinais e não tem eficácia comprovada contra covid-19

Estadão Verifica

05 de junho de 2020 | 14h34

Com a preocupação de muitos brasileiros para que cientistas descubram um medicamento eficaz para a cura da covid-19, continua a onda de boatos que circulam nas redes sociais com tratamentos caseiros contra a doença. Uma publicação com mais de 1,5 mil compartilhamentos no Facebook afirma que chá de boldo combate os sintomas causados pelo novo coronavírus em até três horas. No entanto, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)embora alguns remédios caseiros possam prover conforto a pacientes com sintomas leves, ainda não existe prevenção ou cura para a covid-19. A entidade não recomenda qualquer tipo de automedicação. 

O Ministério da Saúde também alerta que “nenhum tipo de chá pode ser utilizado para substituir um tratamento adequado contra a gripe, muito menos contra o novo coronavírus”.

De acordo com o infectologista Sidnei Rodrigues, do Hospital Eduardo de Menezes, em Belo Horizonte, o chá de boldo não combate os sintomas provocados pelo novo coronavírus — a preparação caseira costuma ser usada para tratar problemas gastrointestinais e ressacas. De acordo com Rodrigues, a publicação analisada pelo Estadão Verifica é vista pelos profissionais da saúde como uma ansiedade para encontrar respostas para o tratamento da doença. 

“Para a gente considerar que um medicamento é eficaz contra alguma doença há um processo científico de levantamento das possibilidades desse medicamentos. No caso do coronavírus, o que existe (até o momento) são estudos químico de vários medicamentos para saber qual deles têm alguma ação efetiva contra a doença”, explicou o infectologista. 

Guilherme Spaziani, infectologista do Instituto Emílio Ribas, reforça que o boldo não possui propriedades antivirais. “Não há nenhum trabalho científico que mostre alguma ação deste tipo.”

Outros profissionais da saúde consultados em checagens anteriores do Estadão Verifica afirmam que a melhor orientação neste momento é evitar a infecção pelo novo coronavírus, respeitando o isolamento social e redobrando os cuidados com a higienização das mãos, dos objetos e alimentos.

A revista Veja Saúde, o serviço Fato ou Fake, e os sites Agência Lupa e Aos Fatos também desmentiram esse boato.

Proteja-se dos boatos

Estadão Verifica já checou vários boatos sobre supostas curas do novo coronavírus. Um deles afirmava que cientistas teriam criado um medicamento para curar a covid-19 em três horas, o que é falso. Veja todas as verificações que publicamos sobre o assunto.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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