Pesquisadora do Datafolha seguiu protocolo ao recusar ouvir eleitor que se ofereceu para entrevista

Pesquisadora do Datafolha seguiu protocolo ao recusar ouvir eleitor que se ofereceu para entrevista

Vídeo no Facebook afirma que instituto de pesquisa não entrevista eleitores de Bolsonaro, o que é falso; na verdade, entrevistadores devem abordar pessoas de forma aleatória na rua

Alessandra Monnerat

10 de maio de 2022 | 19h28

Um vídeo no Facebook viralizou com a alegação falsa de que o Datafolha “recusa a opinião de eleitores de Bolsonaro” para manipular os resultados das pesquisas eleitorais. Na filmagem, um homem questiona por que uma mulher identificada com um crachá do instituto não quis ouvi-lo para um levantamento de intenção de voto. A pesquisadora responde que não pode entrevistar ninguém que se ofereça a participar, independente de posição política — o que é verdade.

O Instituto Datafolha confirmou que a funcionária mostrada no vídeo agiu de acordo com as instruções para fazer a pesquisa. Os pesquisadores devem abordar pessoas de forma aleatória em pontos de fluxo na rua, e recusar ouvir quem se oferece para responder o questionário.

Pesquisas eleitorais seguem métodos científicos para ouvir uma amostra da população que represente a opinião de todo o eleitorado. Para isso, os institutos de pesquisa usam parâmetros estatísticos para definir quantas pessoas devem ser entrevistadas seguindo critérios como sexo, faixa etária, escolaridade e renda. O objeto é ouvir a opinião de um grupo que tenha características proporcionais à da população brasileira, ainda que em menor número. 

“Quando um pesquisador vai até seu ponto de entrevista, que foi sorteado previamente, ele tem um tarefa a ser cumprida, um número determinado de entrevistas”, informou o Datafolha, em resposta ao Verifica. “Ele é instruído a fazer a abordagem aleatória e fechar sua grade de entrevistas sem poder fazer pesquisas a mais ou incluir entrevistados que se ofereçam”.

Primeiramente, o Datafolha sorteia as cidades onde serão feitas as entrevistas; depois, os pontos em que os eleitores serão ouvidos. Por fim, o pesquisador “sorteia”, na rua, as pessoas que responderão ao resultado. “Isso é importante para mantermos uma premissa fundamental de qualquer pesquisa, que é dar a mesma chance de todos os integrantes do universo pesquisado poderem responder ao levantamento”, disse o instituto. 

A aleatoriedade nas entrevistas também é importante para evitar contaminar o resultado da pesquisa. “Um integrante de um partido ou grupo político interessado poderia, por exemplo, enviar vários de seus membros até um pesquisador e solicitar que fossem entrevistados, o que contaminaria todo o resultado”, comunicou o Datafolha.

Depois de realizadas as entrevistas, o instituto checa no mínimo 30% dos questionários para garantir que o material foi coletado seguindo as melhores práticas de pesquisas. 

Na última pesquisa eleitoral Datafolha, publicada em março deste ano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinha 43% das intenções de voto. O atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), aparecia com 26%. A margem de erro era de dois pontos porcentuais.

O Estadão Verifica checou em outras ocasiões vídeos em que pesquisadores se recusavam a entrevistar eleitores que se ofereciam para participar. Veja um exemplo aqui.

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