Vídeo mostra corrida de pombos em Taiwan, não soltura de ‘pássaros de laboratório’

Vídeo mostra corrida de pombos em Taiwan, não soltura de ‘pássaros de laboratório’

Gravação foi tirada de contexto nas redes sociais para acusar a China de ‘disseminar um novo vírus’

Gabi Coelho

10 de novembro de 2021 | 18h14

Circula nas redes sociais um vídeo que mostra pássaros sendo soltos de contêineres no mar. A legenda diz que as imagens provam que a China “soltou no mar milhares de pássaros de laboratório” para disseminar um “novo vírus”. Na realidade, a gravação que viralizou é antiga e retrata uma corrida de pombos organizada na ilha de Taiwan.

Leitores pediram a checagem desse conteúdo por WhatsApp, 11 97683-7490 (clique aqui para enviar uma mensagem).

O Estadão Verifica identificou, por meio da ferramenta de busca reversa do Google (aprenda a usar), que o vídeo foi publicado no YouTube no dia 31 de outubro de 2017. A filmagem mostra o China International Pigeon Race, evento popular na região. No mesmo ano, gravações semelhantes foram publicadas no Facebook, por comunidades de columbófilos (criadores de pombos) de Taiwan.

Organizada desde o século 19, a corrida de pombos funciona da seguinte forma: as aves são soltas e a primeira que chegar ao destino que foi treinada (como um pombo-correio) vence.

No entanto, mesmo com sua popularidade, a prática é criticada por defensores dos direitos dos animais. Segundo a organização norte-americana Peta (sigla em inglês para Pessoas por Tratamento Ético a Animais), mais de 1 milhão de pombos-correio morrem todos os anos durante a temporada de corridas em Taiwan.

“Pássaros jovens — que sequer completaram um ano de idade — são enviados ao mar, soltos no meio do oceano e forçados a voar de volta para casa. Geralmente menos de 1% desses pássaros altamente inteligentes completam as séries de corrida — muitos se afogam de exaustão, morrem nas tempestades ou são mortos por serem muito lentos”, explica a ONG.

Os portais de notícia Insider e UOL mostram em reportagens que as aves alimentam um mercado milionário que envolve redes de apostas e leilões de pássaros campeões. No ano passado, um pombo de corrida foi comprado por US$ 1,9 milhão (o equivalente a R$ 10,5 milhões) durante um leilão na Bélgica.

Em dezembro de 2017, o mesmo vídeo foi usado para acusar o Greenpeace de ter feito a soltura das aves. Em suas redes sociais, a instituição alegou que não tinha nenhuma relação com a atividade apresentada no vídeo.

Com mais de 100 mil compartilhamentos no Facebook, o conteúdo enganoso também foi desmentido pelas agências de checagem France 24, Aos Fatos, Boatos.org, Fato ou Fake e Agência Lupa

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