Coronavírus: site distorce entrevista para sugerir possibilidade de criação de arma biológica
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Coronavírus: site distorce entrevista para sugerir possibilidade de criação de arma biológica

Especialista israelense citado em boato disse que não há evidências de que China tenha criado nova doença em laboratório

Alessandra Monnerat

30 de janeiro de 2020 | 17h58

Não é verdade que um analista israelense especializado em guerra biológica tenha afirmado que o novo coronavírus foi fabricado em um laboratório chinês. A alegação foi publicada pelo site Diário do Brasil, que reproduz uma entrevista do jornal conservador Washington Times que distorce uma entrevista de Dany Shoham. 

O site de fact-checking do Cazaquistão FactCheck.Kz, integrante da International Fact-Checking Network (IFCN), entrou em contato com Shoham. Ele confirmou ter sido entrevistado pelo Washington Times, mas disse que o site publicou apenas uma parte de sua resposta. 

Turistas com máscaras em Roma, na Itália. Foto: EFE/EPA/RICCARDO ANTIMIANI

“Me perguntaram sobre uma possível conexão (entre coronavírus e o programa chinês de armas biológicas)”, escreveu Shoham. “E eu sugeri uma possível relação na forma de vazamento de vírus. Mas adicionei que até agora não há evidências ou indicações de que isso tenha ocorrido.”

O israelense adicionou que, até o momento, a origem do vírus parece ser natural, e que são necessárias mais informações sobre o assunto. 

O jornal The Washington Post também desmentiu boatos de que o novo coronavírus seja fruto de pesquisas com armas biológicas. Segundo especialistas consultados pelo veículo americano, as propriedades do vírus não condizem com características de organismos criados em laboratórios; além disso, a maioria dos países abandonou seus programas de armas biológicas em função de sua baixa eficiência. 

A IFCN reuniu checadores de todo o mundo para trocar informações e colaborar em verificações sobre o novo coronavírus. Veja o trabalho da coalizão aqui (em inglês)

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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