Boato no Facebook inventa que novo coronavírus foi ‘planejado’ pela China
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Boato no Facebook inventa que novo coronavírus foi ‘planejado’ pela China

Post com mais de 45 mil compartilhamentos divulga a informação falsa de que China já estaria "livre" da covid-19

Alessandra Monnerat

18 de março de 2020 | 15h07

Um post com mais de 45 mil compartilhamentos no Facebook divulga a informação falsa de que a China já estaria “livre” do novo coronavírus, depois de ter matado 1% de sua população. Esse boato repercute a teoria da conspiração de que a covid-19 teria sido uma invenção chinesa para obter ganhos econômicos — o que não corresponde à realidade.

Apesar de o número de novos casos diários do novo coronavírus na China ter diminuído significativamente, o país ainda não se “livrou” da doença. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram registrados 81,2 mil casos chineses, até agora o país com maior número de pacientes.

Mulher com máscara em Shangai Foto: REUTERS/Aly Song

Até esta quarta-feira, 19, haviam sido confirmadas 3.242 mortes pela covid-19 na China. Usando a estimativa de que a população chinesa seja de 1,3 bilhão, o número de óbitos representa pouco mais de 0,0002% de seus habitantes.

A teoria conspiratória de que a China teria “inventado” o novo coronavírus não tem pé nem cabeça. Primeiramente, não há nenhum indício que o SARS-CoV-2 (nome oficial do vírus) tenha sido criado em laboratório. Em segundo lugar, as bolsas da Ásia, incluindo as da China, vêm apresentando queda em reação ao avanço da pandemia.

Acompanhe a cobertura em tempo real do Estado sobre o novo coronavírus.

Confira as respostas a 115 dúvidas sobre a covid-19.

Veja outras informações falsas sobre o coronavírus que circulam no WhatsApp.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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