Coronavírus: corrente de WhatsApp dissemina informações falsas sobre prevenção
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Coronavírus: corrente de WhatsApp dissemina informações falsas sobre prevenção

Boato recicla texto atribuído à diretoria do Hospital das Clínicas; instituição nega que tenha divulgado recomendações

Alessandra Monnerat

30 de janeiro de 2020 | 16h27

Leia a versão em espanhol

Não é verdade que o diretor do Hospital das Clínicas (HC) tenha recomendado tomar chá de erva-doce e comer fígado de boi para evitar contaminação pelo novo coronavírus. Este boato, que circula em mensagens de WhatsApp e no Facebook, é antigo e foi reciclado por conta do pânico em torno da epidemia recente. 

As recomendações feitas no texto não seguem o padrão da Organização Mundial de Saúde (OMS) e incluem uma informação falsa sobre o medicamento Tamiflu. Além disso, o HC informou que a diretoria médica da instituição não fez nenhum alerta do tipo. 

Motociclistas mascarados em Taiwan devido ao novo coronavírus. Foto: EFE/EPA/DAVID CHANG

A mensagem de WhatsApp alega que é recomendável tomar chá de erva doce duas vezes por dia para evitar a contaminação por coronavírus — o chá teria a mesma substância que o medicamento Tamiflu, indicado para prevenção da influenza A e B. Nada disso é verdade.

De acordo com a OMS, ainda não existe medicamento para prevenir o contágio pelo novo coronavírus ou tratar seus efeitos. “Alguns tratamentos específicos estão sob investigação, e serão submetidos a testes clínicos”, informa a organização. 

Como mostra a bula do Tamiflu disponibilizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o medicamento é composto de fosfato de oseltamivir. O Ministério da Saúde já havia desmentido, em janeiro de 2019, que o princípio ativo seja o mesmo do chá de erva-doce. 

Documento

Quais são as recomendações da OMS para prevenção do coronavírus

As recomendações da OMS são as mesmas que se aplicam para evitar a exposição a várias outras doenças. Veja a lista:

  1. Limpe frequentemente as mãos usando álcool em gel ou água e sabão;
  2. Quando tossir ou espirrar, cubra a boca e o nariz com o cotovelo flexionado ou com um lenço de papel — jogue o lenço fora imediatamente e lave as mãos;
  3. Evite o contato próximo com qualquer pessoa que tenha febre e tosse;
  4. Se você tiver febre, tosse e dificuldade para respirar, procure cuidados médicos e compartilhe o histórico de viagens anteriores com o profissional de saúde;
  5. Se visitar mercados de animais em áreas que atualmente apresentam casos do novo coronavírus, evite o contato direto sem proteção com animais vivos e superfícies em contato com animais;
  6. O consumo de produtos animais crus ou mal cozidos deve ser evitado. Carne crua e leite devem ser manuseados com cuidado, para evitar a contaminação cruzada com alimentos não cozidos, de acordo com boas práticas de segurança alimentar.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

Versão em espanhol

Texto traduzido pelo LatamChequea, grupo colaborativo que reúne dezenas de fact-checkers da América Latina no combate à desinformação relacionada ao novo coronavírus.

Coronavirus: una cadena de WhatsApp difunde información falsa sobre prevención

No es verdad que el director del Hospital de Clínicas (HC) haya recomendado tomar té de anís y comer hígado de vaca para evitar la contaminación con el nuevo coronavirus. Este rumor, que circula en mensajes de WhatsApp y en Facebook, es antiguo y fue reciclado debido al pánico provocado por la epidemia reciente. 

Las recomendaciones que se hacen en el texto no siguen las normas de la Organización Mundial de la Salud (OMS) e incluyen información falsa sobre el medicamento Tamiflu. Además, el HC informó que la dirección médica de esa institución no hizo ningún aviso de ese tipo. 

El mensaje de WhatsApp alega que es recomendable tomar té de anís dulce dos veces por día para evitar la contaminación con coronavirus; el té tendría la misma substancia que el medicamento Tamiflu, recomendado para prevenir la influenza A y B. Nada de eso es verdad.

Según la OMS, todavía no existe un medicamento para prevenir el contagio con el nuevo coronavirus o tratar sus efectos. “Algunos tratamientos específicos están en investigación y serán sometidos a ensayos clínicos”, informa la organización. 

Como muestra el prospecto del Tamiflu, dado por la Agencia Nacional de Vigilancia Sanitaria (Anvisa), el medicamento está compuesto por fosfato de oseltamivir. El Ministerio de Salud ya había desmentido en enero de 2019 que el principio activo sea el mismo del té de anís. 

Documento

¿Cuáles son las recomendaciones de la OMS para prevenir el coronavirus?

Las recomendaciones de la OMS son las mismas que se aplican para evitar la exposición a otras enfermedades. Vea la lista:

  1. Higienice frecuentemente sus manos usando alcohol en gel o agua y jabón;
  2. al toser o estornudar, cúbrase la boca y la nariz con el codo flexionado o con un pañuelo de papel, descarte inmediatamente el pañuelo y lávese las manos;
  3. evite el contacto cercano con cualquier persona que tenga fiebre y tos;
  4. si tiene fiebre, tos y dificultad para respirar, busque atención médica y comunique sus antecedentes de viajes al profesional de la salud;
  5. si visita mercados de animales en zonas que actualmente presentan casos del nuevo coronavirus, evite el contacto directo, sin protección, con animales vivos y superficies que estén en contacto con los animales;
  6. evite el consumo de productos animales crudos o mal cocidos. Maneje con cuidado la carne cruda y la leche para evitar la contaminación cruzada con alimentos no cocidos, según las buenas prácticas de seguridad alimentaria.

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